Número recorde de jovens pode impulsionar desenvolvimento económico

 Número recorde de jovens pode impulsionar desenvolvimento económico

 

Lusa/AO online   Economia   18 de Nov de 2014, 17:23

O número de jovens a nível mundial, 1,8 mil milhões, pode impulsionar o desenvolvimento socioeconómico, caso se invista na sua educação, defende o relatório das Nações Unidas sobre o estado da população mundial em 2014.

 

“O atual recorde de 1,8 mil milhões de jovens representa uma oportunidade enorme de transformar o futuro”, assinalou o diretor executivo do Fundo para a População das Nações Unidas (FNUAP), Babatunde Osotimehim, citado num comunicado de divulgação do estudo.

Os potenciais ganhos económicos podem ser alcançados através de um “dividendo demográfico” que ocorre quando a população em idade ativa é maior do que a dependente e mais jovem.

“Os jovens são os inovadores, criadores, construtores e líderes do futuro. Mas eles só podem transformar o futuro se tiverem competências técnicas, saúde, poderem decidir e fazer escolhas”, adiantou Osotimehim.

Os ganhos potenciais dos países dependem dos jovens estarem preparados para aproveitarem as oportunidades de emprego e outras possibilidades de obtenção de rendimento, refere o relatório “O poder de 1,8 mil milhões de adolescentes e jovens e a transformação do futuro” do FNUAP.

No caso dos países em desenvolvimento com grandes populações jovens o estudo indica que poderão ver as suas economias “crescerem significativamente” se “investirem fortemente na educação e saúde dos jovens e protegerem os seus direitos”.

“Nove em cada dez jovens de hoje vive em países menos desenvolvidos”, segundo o estudo do FNUAP, que mostra que “mudanças demográficas que ocorrem em cerca de 60 países estão a abrir uma janela para um ‘dividendo demográfico’”.

O investimento, nos anos de 1950 e 1960, de várias economias do leste asiático na capacidade dos seus jovens e no seu acesso ao planeamento familiar resultou num “crescimento económico sem precedentes”, tendo a Coreia do Sul, por exemplo, visto o seu produto interno bruto ‘per capita’ crescer cerca de 2.200 por cento entre 1950 e 2008.

De acordo com o estudo, “se os países da África subsaariana repetirem a experiência do leste asiático, fazendo os investimentos certos nos jovens, permitindo-lhes participar nas decisões que afetam as suas vidas e adotando políticas destinadas a promover o crescimento económico, a região como um todo pode concretizar um ‘dividendo demográfico’ no valor de 500 mil milhões de dólares por ano, durante 30 anos”.

O diretor executivo do FNUAP insta os países a aproveitarem os ganhos para “conseguir crescimento inclusivo e oferecer oportunidades e bem-estar a todos”.

 


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