Nova lei imposta pelo grupo intitulado Estado Islâmico obriga homens a ter barba


 

Lusa/AO online   Internacional   1 de Jun de 2015, 12:02

O grupo autoproclamado Estado Islâmico aprovou uma nova lei, a vigorar a partir desta segunda-feira, em Mossul (Iraque), que torna obrigatório o uso de barba e proíbe os cidadãos de se barbearem.

 

O autodenominado Estado Islâmico (EI) distribuiu panfletos a anunciar o estabelecimento desta nova lei em Mossul, a cidade mais importante por si conquistada durante a vasta ofensiva no verão de 2014.

"Os meus pelos da barba são muito lentos a crescer", lamenta-se um jovem de 18 anos que, como todos os habitantes entrevistados, não quis dizer o seu nome por medo de represálias.

"Estou apavorado porque eles (jihadistas) reagem violentamente contra quem se rebelar ou ignorar as instruções", admitiu à AFP, a partir da capital iraquiana do "califado", proclamada pelo EI sobre os territórios conquistados há quase um ano no Iraque e na Síria.

"Eu trabalho numa padaria, o que significa que tenho de sair de casa e cruzar-me com homens Daesh ", acrescentou o adolescente, usando um acrónimo em árabe para EI.

Os jihadistas fizeram de Mossul a sede da administração, onde decidem tudo, desde os programas escolares até aos horários de funcionamento das lojas, passando pela maneira de vestir -- roupa e cabelo, noticia a agência AFP.

"Ao fazer a barba dos homens, os cabeleireiros são cúmplices de um pecado", está escrito nos folhetos do EI que citam o hadith (palavras atribuídas ao profeta) para justificar a proibição de cortar a barba.

Nadhim Ali, taxista há trinta anos, nunca deixou crescer a barba nem o bigode porque lhe provoca alergia.

Embora tenha apresentado atestados médicos à polícia religiosa, não obteve resultados. "Eles não se importam, inclusive um advertiu-me que se eu fizesse a barba era melhor ficar em casa", afirmou Nadhim Ali, acrescentando que para poder alimentar a família tem de escolher "entre ficar doente ou levar com o chicote".

Segundo os habitantes de Mossul, a nova lei não tem nada a ver com religião, noticia a agência AFP.

"Eles querem criar um escudo humano para quando houver operações militares em Mossul, se puderem misturar com a população", afirma o professor Oum Mohamed.

A coligação internacional criada pelos Estados Unidos para acertar as posições do EI na Síria e no Iraque levou a muitas invasões em redor de Mossul, mas nenhuma sobre a própria cidade.

Um antigo membro dos serviços de segurança iraquiana, que reside atualmente em Mossul, afirmou que os membros do EI "livraram-se dos veículos militares e das bandeiras, utilizando, cada vez mais, viaturas à paisana", acrescentando que "esta nova lei das barbas serve o mesmo propósito, eles querem esconder-se entre os civis".

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