Nova geração de escritores lança revista literária nos Açores


 

Lusa/AO Online   Regional   20 de Abr de 2017, 17:31

Uma nova geração de escritores açorianos, liderada por Nuno Costa Santos, coordenador do projeto, lança na sexta-feira, em Ponta Delgada, a revista literária "Grotta", editado pela Letras Lavadas.

 

“A ‘Grotta’ pretende ser um espaço onde vários autores possam conviver. Neste sentido, aparece, um pouco, em contracorrente, num mundo em que cada pessoa surge individualmente e desligada dos outros. A revista tem esta vontade de ser um espaço de comunidade entre novos autores”, declarou à agência Lusa o escritor Nuno Costa Santos.

O coordenador do projeto editorial frisou que as novas gerações de escritores “precisam, sobretudo, de plataformas onde se possam encontrar”, pretendendo-se que a publicação represente a “consagração de uma nova geração que possui um histórico de outros autores com uma grande tradição”.

“Sinto-me parte de uma tradição que surge de vários autores, alguns deles vivos, como Vamberto Freitas, Urbano Bettencourt, Onésimo Teotónio de Almeida, Eduardo Bettencourt Pinto e, antes destes, Eduíno de Jesus e Fernando Aires”, declarou o escritor, natural de Ponta Delgada.

Nuno Costa Santos, guionista para cinema, dramaturgo e autor de programas para rádio e televisão, lembrou o facto de atualmente haver apenas um suplemento literário nos Açores, publicado num jornal de Ponta Delgada, com assinatura dos escritores Vamberto Freitas e Álamo Oliveira.

“A ‘Grotta’ é um nome que apela à morfologia essencial das ilhas, que também tem a ver com a ideia de literatura, no sentido em que é um lugar escondido e cheio de perigos” , declarou.

O responsável editorial disse que a revista abre com um texto do vulcanólogo Vitor Hugo Forjaz, que explica que as grotas “são como artérias das ilhas açorianas”.

O escritor disse que o primeiro exemplar contempla, ainda, poemas e crónicas, bem como uma entrevista com Nuno Dempsert, escritor que é neto do Armando Cortes Rodrigues, perfil literário do arquipélago que se distinguiu pelos seus estudos de etnografia e, em particular, pela publicação de um cancioneiro geral dos Açores.

Nuno Costa Santos referiu que a revista contempla, também, um texto sobre a amizade de Armando Cortes Rodrigues com Mário de Sá Caneiro, pouco divulgada, contrariamente aos laços mantidos pelo poeta açoriano com Fernando Pessoa.

O guionista disse que neste número da revista se assiste a uma “convivência geracional”, surgindo a publicação no âmbito da “tradição de suplementos em formato de revistas e publicações” da região.

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