Nova central de triagem em São Miguel entra em funcionamento no verão de 2018

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A nova central de triagem automatizada, que vai aumentar a capacidade de tratamento dos resíduos provenientes dos ecopontos e da recolha seletiva porta-a-porta em São Miguel entra em funcionamento no verão do próximo ano.
 

“Hoje temos uma estação de triagem totalmente manual que funciona 24 horas por dia com três turnos. Já não temos grande capacidade de aumentar mais a capacidade de gestão deste tipo de resíduos”, disse o presidente da Associação de Municípios da Ilha de São Miguel (AMISM), Ricardo Rodrigues, em declarações aos jornalistas.

A central de triagem, cuja primeira pedra foi hoje lançada, vai ser construída no Ecoparque da Ilha de São Miguel, representando um investimento de cerca de 2,8 milhões de euros e com um prazo de execução de 365 dias.

Na cerimónia, em Ponta Delgada, o presidente da AMISM referiu que o investimento constitui "uma opção moderna, com as mais atuais tecnologias para o tratamento de resíduos muito valorizáveis", como plásticos, embalagens e papel.

“A triagem que é feita toda manualmente, num trabalho diário contínuo de três turnos, passará a ser feita de forma automatizada e mais limpa, valorizando ainda mais a qualidade dos resíduos que encaminharmos para o continente”, destacou Ricardo Rodrigues, também presidente da Câmara Municipal de Vila Franca e do conselho de administração da MUSAMI - Operações Municipais do Ambiente.

Segundo o autarca, atualmente "é expedido para fora da região uma média semanal de 12 contentores deste tipo de resíduos" e a nova central vai aumentar a capacidade de resposta que neste momento está praticamente esgotada.

"Terá capacidade para duas toneladas e meia/hora durante sete horas por dia que é suficiente para tratar todos os resíduos valorizáveis", adiantou.

Ricardo Rodrigues acrescentou que a MUSAMI teve no ano passado um volume de negócios na ordem dos 4,8 milhões de euros para um resultado líquido de cerca de 396 mil euros.

“No ano de 2016 recebemos e gerimos 80.859 toneladas de resíduos”, referiu, indicando que a MUSAMI teve um volume de faturação no que diz respeito à triagem de dois milhões de euros.

Para Ricardo Rodrigues, “as alternativas que se colocam para uma boa gestão dos resíduos urbanos não passam por sucessivos aterros sanitários", sustentando que o tratamento mecânico biológico "não é a melhor solução, nem a mais sustentável", porque daí resulta "um composto de má qualidade" e que "não tem aplicação na agricultura que se pratica na ilha".

A este propósito informou que a MUSAMI tem "um composto de grande qualidade derivado dos resíduos verdes”, produzindo 3.500 toneladas, metade para venda.

"Por estas razões, mas também porque consensualmente nos locais próprios se decidiu que a ilha de São Miguel, para tratar dos seus resíduos disporia de uma central de valorização energética”, foi esta a opção, declarou Ricardo Rodrigues, realçando que a AMISM herdou a prática de que “as decisões estruturais são tomadas por unanimidade dos municípios da ilha".