Nobel da Paz reconhece importância dos direitos das crianças

Nobel da Paz reconhece importância dos direitos das crianças

 

Lusa/AO online   Internacional   10 de Out de 2014, 17:41

A diretora-executiva da Comité Português da UNICEF destacou hoje que a atribuição do prémio Nobel da Paz ao indiano Kailash Satyarthi e à paquistanesa Malala Yousafzai é um "sinal da importância de reconhecer os direitos das crianças".

 

Em declarações à Lusa, a responsável, Madalena Marçal-Grilo, congratulou-se com a atribuição do galardão aos dois ativistas, hoje anunciada.

“É um reconhecer da importância da luta pelos direitos humanos e, aqui concretamente, a luta pela realização dos direitos de todas as crianças. É um estímulo para que os direitos das crianças sejam assumidos e respeitados, não apenas num país ou noutro, porque em todos os países há violações dos direitos das crianças”, destacou.

Por outro lado, o prémio também demonstra a importância de ouvir o que as crianças têm para dizer.

“Malala tem sido um exemplo claríssimo desta força de fazer-se ouvir, de participar e de dar o seu contributo para a realização dos direitos das crianças”, sublinhou Madalena Marçal Grilo.

A diretora-executiva do Comité Português para a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) destacou o percurso de Malala Yousafzai, “uma defensora incansável dos direitos das raparigas”.

A jovem paquistanesa “tem dado um exemplo e é um motivo de inspiração, porque teve a coragem de desafiar os poderes estabelecidos no país e isso ia-lhe custando a vida”, num ataque a tiro pelos talibãs, considerou.

A diretora-executiva da UNICEF Portugal assinalou ainda a determinação de Malala na sua luta, que prossegue “com a mesma força e vigor, em defesa dos direitos das crianças e do direito do acesso à educação, que é tão importante para as raparigas, para o seu presente e para o seu futuro”, bem como a sua tolerência, traduzida numa cultura de não-violência para com os seus agressores.

Quanto a Kailash Satyarthi, Madalena Marçal Grilo assinalou o seu trabalho como “defensor dos direitos das crianças, nomeadamente na luta contra o trabalho infantil, que continua ainda a afetar tantas crianças no mundo”.

Em comunicado de imprensa divulgado em Nova Iorque, a UNICEF destacou que a atribuição do prémio "demonstra a convicção inabalável de que as crianças são uma força de mudança".

"Esta distinção indubitavelmente merecida para dois corajosos ‘campeões’ dos direitos da criança é atribuída no ano em que a comunidade internacional celebra o 25º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança", lê-se ainda no texto, acrescentando que "a coragem e a determinação de Malala e de Kailash são um apelo à acção pelas crianças do mundo, onde quer que vivam”.

Malala Yousafzai, 17 anos, é a mais jovem dos galardoados e tornou-se num símbolo reconhecido internacionalmente de resistência aos esforços dos talibãs em negar educação e outros direitos às mulheres.

Com 60 anos, Kailash Satyarthi é um dos promotores da Marcha contra o Trabalho Infantil e já resgatou mais de 60 mil crianças trabalhadoras e também adultos mantidos sob regime de escravidão.

“As crianças devem ir à escola e não serem exploradas financeiramente”, disse o presidente do comité do Prémio Nobel, Thorbjorn Jagland.



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