Nobel da Economia rejeita que haja condições para criar moeda latino-americana

Nobel da Economia rejeita que haja condições para criar moeda latino-americana

 

Lusa / AO online   Economia   15 de Dez de 2007, 10:43

O prémio Nobel da Economia 2001, o norte-americano Joseph Stiglitz, rejeitou hoje, em Quito, que haja condições para criar uma moeda comum latino-americana, embora apoie a possibilidade de impulsionar uma ampla cooperação monetária na região.
    Stiglitz, que visita o Equador para apoiar a elaboração de um plano governamental de desenvolvimento até ao ano 2020, assegurou aos jornalistas que a criação de uma moeda comum se poderia concretizar se a região cumprir certas condições económicas, políticas e sociais.

    Todavia, insistiu que na América Latina há condições para uma ampla cooperação monetária, vantajosa para todos os países da região.

    "Vejo muitas formas de cooperação" monetária, como a possibilidade de "partilhar as reservas" dos países, uma conta comum que permitiria, segundo ele, apoiar o desenvolvimento latino-americano.

    Por isso, destacou a recente criação do Banco do Sul, fundado por sete países sul-americanos que usarão a entidade para obter créditos em condições vantajosas e que lhes permitirá ter uma fonte alternativa de financiamento aos tradicionais organismos multilaterais de crédito.

    Stiglitz disse que o conceito do Banco do Sul se orienta mais para uma entidade de desenvolvimento regional, admitindo, no entanto, que esse passo permita no futuro a criação de um "Fundo Monetário Latino-americano".

    O Prémio Nobel, crítico do neo-liberalismo e do papel de organismos multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM), acrescentou que estes não aceitaram nenhum tipo de competência em relação às fontes de financiamento.

    Stiglitz também sugeriu uma "terceira via" de desenvolvimento, que potencie com um justo equilíbrio a relação do Estado e do mercado, considerando "fracassada" a aplicação de uma abertura económica.

    Para o economista norte-americano nem sequer no seu país se aplicou o neo-liberalismo nem uma liberalização do mercado, apesar de Washington ter defendido esse modelo em nações em vias de desenvolvimento.

    Stiglitz assegura que o papel do Estado no seu país é muito preponderante e que tão-pouco mostrou abertura à intervenção de capitais estrangeiros em sectores-chave da sua economia, como exige a outras nações.

    Também criticou os Tratados de Livre Comércio que os Estados Unidos apoiam, afirmando que "não são livres nem de comércio", já que, segundo o seu critério procuram sustentar os interesses norte-americanos, sem atender aos efeitos nos outros países.

    Salientou que este tipo de pactos bilaterais foi usado pela administração do presidente, George W. Bush, para destruir o multilateralismo.
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