Navio português combate imigração ilegal crescente de Marrocos e Argélia


 

Lusa/AO online   Nacional   12 de Ago de 2014, 19:06

O Navio de Patrulha Oceânica (NPO) português Figueira da Foz, com 63 elementos, combate em agosto a imigração ilegal para a Europa desde Marrocos e Argélia, na qual uma média de sete africanos arrisca a vida por dia.

 

O NPO, um do par da "classe Viana do Castelo" que a Marinha portuguesa possui foi construído naqueles estaleiros minhotos e ativado em 2013, integrando agora a missão conjunta "Índalo2014", da agência europeia de gestão da cooperação operacional nas fronteiras externas dos estados-membros da União Europeia (Frontex), e foi visitado pelo ministro da Defesa Nacional.

"É mais um exemplo da cooperação internacional das Forças Armadas (FA) portuguesas, neste caso da Marinha, numa operação que tem a ver com a vigilância nas fronteiras da União Europeia e, nomeadamente, na prevenção da imigração e o combate àqueles que estão por trás dessa migração, as redes clandestinas", congratulou-se Aguiar-Branco sobre a operação, na qual colabora ainda uma aeronave finlandesa.

O objetivo da operação é "detetar, localizar, identificar e impedir a atividade ilegal", designadamente de "imigração irregular" e "prestar assistência humanitária e socorro sempre que necessário".

Desde 01 de agosto, o Figueira da Foz já esteve em quatro ocorrências, três envolvendo "pateras" (as embarcações rudimentares vindas da costa magrebina) e uma outra de tráfico de droga, mas em todos os casos os meios da Guarda Civil e da Patrulha e Salvamento de Mar espanhóis, assim como outros de Marrocos e da Argélia, foram suficientes.

Segundo dados da Frontex, de 01 de janeiro a 07 de agosto de 2014, registaram-se 1.482 entradas ilegais na Europa através das fronteiras marítimas do Mediterrâneo Ocidental, num total de 3.330, ou seja, mais 32% do que no mesmo período homólogo, com o Mali e os Camarões a serem as duas principais nacionalidades dos "aventureiros". Pelo mar, houve um aumento de cerca de 6% nos fluxos.

"É uma missão difícil, que toca em redes com financiamentos muito fortes. É uma prioridade participar, em termos internacionais, em tudo o que diga respeito à segurança da Europa, mesmo durante este período difícil de acerto das contas públicas - não deixámos de estar presentes", assegurou Aguiar-Branco.

O NPO Figueira da Foz, de 83 metros de comprimento e uma guarnição exclusiva de 42 militares, tem dois motores elétricos e dois motores a diesel, além da capacidade para receber helicópteros ligeiros e de ter em funcionamento, inclusivamente simultâneo, duas lanchas rápidas e um barco semi-rígido.

Aguiar-Branco teve oportunidade de assistir a um simulacro de recolha de náufragos, testemunhando, no "parque de cabos" ou "tolda" do navio, imediatamente por baixo do convés de voo, a revista e triagem de pessoas, posteriormente encaminhadas para a zona de espera, onde teriam a "companhia" de inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, ou, em caso de necessidade, normalmente por desidratação ou hipo ou hipertermia, para o posto médico avançado.

"Não estou surpreendido. As FA e a Marinha, em particular, fazem um planeamento correto em relação àquilo que são os riscos que uma missão desta natureza acarreta. São tomados todos os procedimentos, tentando minimizar esses riscos", disse o ministro da Defesa, depois de o médico destacado ter garantido que o navio está preparado para lidar com qualquer eventualidade, incluindo o atual surto de vírus Ébola, ativo em países como a Nigéria, Libéria, Serra Leoa ou Guiné-Conacri.


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