Nascem 17 bebés prematuros por dia em Portugal, oito por cento de todos os nascimentos

Nascem 17 bebés prematuros por dia em Portugal, oito por cento de todos os nascimentos

 

Lusa/AO Online   Nacional   3 de Jun de 2016, 08:33

Todos os dias nascem em média 17 bebés prematuros em Portugal, que representam quase oito por cento do total de nascimentos, com o país a apresentar uma taxa de prematuridade elevada comparado com a restante realidade europeia.

 

O livro “Viver a prematuridade”, da autoria da jornalista Cláudia Pinto e que é lançado no sábado no Porto, mostra que as taxas de nascimentos prematuros são muito elevadas e sem tendência para descer, com níveis “muito altos” comparativamente aos registados na Europa.

Em 2014, nasceram 6.393 bebés pré-termo (antes das 37 semanas de gestação) e destes, 816 (cerca de 1%) eram muito prematuros, com menos de 32 semanas). É precisamente nestes bebés muito pré-termo que se verifica o maior risco de mortalidade neonatal.

Como explica o livro, as causas da prematuridade são compostas por muitos fatores, como a idade materna avançada, o baixo nível socioeconómico, o consumo de álcool e tabaco em excesso, história anterior de parto pré-termo, gravidez múltipla, alterações da quantidade de líquido amniótico, infeções, hemorragias e malformações uterinas, restrição do crescimento fetal e ainda diversos problemas de saúde materna, como a obesidade.

A pediatra e antiga ministra da Saúde Ana Jorge, que é uma das especialistas a prestar declarações para o livro, elogia o acompanhamento neonatal feito em Portugal quer aos bebés quer às famílias. Contudo, considera falta organizar melhor o acompanhamento posterior a estas famílias.

“Nem em todos os locais existem centros de desenvolvimento com equipas multidisciplinares dedicadas que façam acompanhamento posterior aos bebés prematuros, com enfoque nas necessidades das famílias”, referiu a pediatra.

As unidades de seguimento dos prematuros após a alta não estão organizadas da mesma forma em todo o país. Há hospitais, como o caso do Garcia de Orta, em que uma equipa multidisciplinar faz a vigilância periódica das crianças prematuras, geralmente até aos oito anos.

Apesar de o grupo de maior risco de desenvolvimento de complicações ser o dos prematuros antes das 32 semanas, os bebés entre as 34 e as 36 semanas preocupam especialmente Ana Jorge.

“Os partos destes bebés são muitas vezes provocados, o que não é aconselhável. Os bebés não estão ainda completamente desenvolvidos e o desencadeamento de um parto não é um processo natural, a evitar antes das 40/41 semanas. Deve ser o bebé a ditar o momento em que deve nascer. Muitas vezes, os partos previstos ou marcados antes de haver sinais de que chegou o final da gravidez levam a um nascimento antecipado, com um aumento de problemas no período neonatal precoce, quando comparados com os de termo”, lê-se no livro “Viver a prematuridade”, obra que será lançada no sábado pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto.

 


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