Não estamos a negociar nem o meu cargo nem interesses do PS

Não estamos a negociar nem o meu cargo nem interesses do PS

 

Lusa/AO Online   Nacional   14 de Out de 2015, 07:36

O secretário-geral do PS recusou hoje que esteja a negociar soluções de Governo com PCP e Bloco de Esquerda para manter-se no cargo e acusou a coligação PSD/CDS de falta de humildade perante o novo quadro político.

António Costa assumiu estas posições na conferência de imprensa que se seguiu ao fim da reunião com os líderes do PSD, Pedro Passos Coelho, e do CDS-PP, Paulo Portas, depois de interrogado se temia ser afastado da liderança dos socialistas caso não não seja bem sucedido nas negociações.

"Não estamos a negociar nem o meu cargo, nem os interesses do PS, mas a trabalhar pelo interesse dos portugueses e de Portugal", reagiu o líder socialista.

De acordo com a interpretação do secretário-geral do PS, o interesse de Portugal "é dispor de uma solução governativa que possa oferecer estabilidade nos próximos quatro anos".

"O interesse dos portugueses é termos uma solução governativa que corresponda à vontade inequívoca expressa pelos eleitores de uma grande ambição de mudança de política", disse.

Depois, o líder socialista vincou que nas últimas eleições legislativas "a direita obteve o segundo pior resultado de sempre na História da democracia portuguesa".

"Hoje, a coligação PSD/CDS deve ter a humildade de reaprender a governar nas novas condições que o parlamento tem e que os portugueses escolheram", declarou, antes de criticar o documento que lhe fora proposto por sociais-democratas e centristas sobre condições para um acordo de Governo.

Para António Costa, esse documento "não traduz um esforço suficiente, nem revela a preocupação por parte da coligação PSD/CDS face ao novo quadro parlamentar existente no país, onde é necessário um esforço efetivo que traduz uma mudança de política, que rompa com a estratégia de austeridade e de empobrecimento".

"A coligação tem de perceber que estamos num novo quadro parlamentar, que perdeu a maioria que tinha e que hoje tem de ter a humildade democrática de procurar com as outras forças políticas encontrar soluções que garantam um Governo - e que esse Governo possa ter estabilidade", insistiu o secretário-geral do PS.

Durante a reunião, que durou duas horas e 20 minutos, na sede nacional do PS, António Costa disse que os socialistas apontaram "17 ou 18 exemplos de lacunas graves" constantes no documento.

Segundo o secretário-geral do PS, o trabalho da coligação PSD/CDS apresentado nesse documento "não dá centralidade à política de emprego, não fornece respostas concretas contra o empobrecimento, ignora a revisão dos escalões do IRS, a reposição dos salários da administração pública, a descida do IVA da restauração e a prioridade à educação de adultos".

"Insuficiência também na ausência de fornecimento por parte da coligação PSD/CDS e do Governo de informação indispensável ao suporte financeiro das medidas que apresentaram. Só assim se poderia avaliar a credibilidade do exercício que nos foi apresentado. Infelizmente não encontramos eco na coligação nas críticas que apresentámos", completou o secretário-geral do PS.


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