Nações Unidas vão enviar missão ao Iraque para avaliar crimes do Estado Islâmico

Nações Unidas vão enviar missão ao Iraque para avaliar crimes do Estado Islâmico

 

Lusa/AO Online   Internacional   1 de Set de 2014, 19:53

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas decidiu hoje, por unanimidade, enviar, "com urgência", uma missão de inquérito sobre as atrocidades cometidas no Iraque pelo grupo fundamentalista Estado Islâmico.

A resolução hoje adotada, a pedido do Iraque, foi aprovada por unanimidade pelos 47 membros do Conselho de Direitos Humanos, em reunião extraordinária sobre o Estado Islâmico, realizada em Genebra, na Suíça.

Os onze investigadores da missão deverão chegar ao terreno nas próximas semanas, onde recolherão provas que possam indiciar o Estado Islâmico na justiça internacional, adiantou um porta-voz do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville.

“Estamos perante um mostro terrorista", declarou o ministro de Direitos Humanos iraquiano, Muhammad Shia al-Sudani.

“Os atos do Estado Islâmico são uma ameaça, não só para o Iraque, mas também para a região e para o mundo”, sublinhou, considerando que todos os países estão em “perigo iminente”.

“Os relatórios que recebemos revelam dados de uma escala de desumanidade inimaginável”, descreveu Flavia Pansieri, alta comissária adjunta da ONU para os direitos humanos, citando assassinatos seletivos, conversões forçadas ao islão, sequestros, escravatura, tortura e perseguição sistemática por razões religiosas e étnicas.

Desde 09 de junho que os combatentes do Estado Islâmico, que pretendem instaurar um califado no Iraque e na Síria, conquistaram várias zonas do território iraquiano, semeando o pânico e desencadeando a fuga de centenas de milhares de habitantes.

As Nações Unidas já denunciaram a ocorrência de crimes contra a humanidade, crimes de guerra e atos de limpeza étnica e religiosa, nomeadamente de cristãos e curdos.

Embora as Nações Unidas tenham denunciado também os crimes contra os direitos humanos cometidos pelas forças regulares do regime iraquiano, a missão aprovada hoje não vai inquirir sobre estes, o que já foi lamentado por organizações como a Human Rights Watch.

A resolução adotada exorta todas as partes envolvidas no conflito a respeitarem o direito internacional, a protegerem os civis e a garantirem às equipas humanitárias o acesso seguro às populações carenciadas.

A equipa da missão deverá dar conta dos seus avanços no terreno durante os trabalhos da próxima sessão regular do Conselho de Direitos Humanos, entre 08 e 26 de setembro, e apresentar um relatório escrito durante a 28.ª sessão do organismo, em fevereiro/março do próximo ano.

 


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