Museu do Carnaval da ilha Terceira tem uma década mas é pouco conhecido

Museu do Carnaval da ilha Terceira tem uma década mas é pouco conhecido

 

Lusa / AO online   Regional   6 de Fev de 2016, 10:40

Na vila das Lajes, na ilha Terceira, há um museu que celebra o Carnaval durante todo o ano, há mais de uma década, mas que ainda é pouco visitado por quem chega de fora.

 

"A adesão dos turistas podia ser maior. É pouco conhecido. Este museu neste momento está no processo de entrar na rede de museus dos Açores e oxalá que a partir daí seja mais conhecido", salientou, em declarações à Lusa, César Toste, presidente da Junta de Freguesia das Lajes, responsável pelo espaço.

Há cerca de 10 anos, o anterior presidente da junta de freguesia adquiriu uma casa típica do Ramo Grande (zona onde se inclui a vila das Lajes) e criou um museu, sobretudo com doações de pessoas de toda a ilha e emigrantes, e com os acervos de dois investigadores das danças e bailinhos de Carnaval da ilha Terceira, Augusto Gomes e José Orlando Bretão.

Pelo Museu do Carnaval passam por ano entre 200 e 300 pessoas, muito menos do que os milhares de espetadores que enchem todos os anos os salões e sociedades recreativas da Terceira.

Entre o sábado e a terça-feira de Carnaval, dezenas de grupos amadores percorrem a ilha atuando, de forma gratuita, em mais de 30 salas de espetáculos, até de madrugada, com manifestações que aliam a música ao teatro em rima.

Este ano esperam-se quase 60 grupos, divididos entre danças de pandeiro, danças de espada, bailinhos e comédias, envolvendo mais de 1.300 músicos, dançarinos e atores, em que se incluem quatro grupos de emigrantes dos Estados Unidos da América e do Canadá.

Segundo César Toste, além dos turistas, sobretudo norte-americanos com ligação à base das Lajes, o Museu do Carnaval é visitado pela população da ilha, que tem "grande orgulho" nesta tradição e que se emociona muitas vezes ao encontrar uma fotografia ou uma peça de vestuário de um familiar já falecido.

"Arrisco-me a dizer que o Carnaval é mais importante do que o Natal aqui na nossa ilha. As pessoas vivem tanto e despendem tanto do seu tempo, que sentem que o Carnaval é, de facto, algo que faz muito parte delas", salientou.

O museu divide-se em quatro salas, uma dedicada às danças de espada, outra dedicada às danças de pandeiro, aos bailinhos e às comédias, outra que destaca a investigação e os escritores e, por fim, a cozinha, onde se recorda a doçaria típica da época (filhós, coscorões e rebuçados) e a forma como as casas senhoriais eram enfeitadas antigamente para receber as atuações das danças.

O espaço mostra a evolução das roupas utilizadas pelos diferentes géneros de danças ao longo de décadas, acessórios, como apitos e chapéus, instrumentos musicais, livros, vídeos e assuntos (textos teatrais).

As exposições incluem, por exemplo, um assunto de 1939 e a roupa de um mestre de uma dança de espada de 1966, mas muito mais haveria para mostrar se houvesse espaço, porque a população continua a oferecer lembranças da sua passagem pelo Carnaval.

Segundo César Toste, a junta de freguesia pretende ampliar o espaço, mas por enquanto não tem verbas disponíveis, até porque investiu recentemente na melhoria dos quadros descritivos do equipamento.

É na vila das Lajes que reside Hélio Costa, autor de assuntos de Carnaval que dá nome ao museu e que só este ano escreveu mais de quatro dezenas de textos, para a ilha Terceira e para a diáspora, onde também se organizam danças e bailinhos.

Este ano, saem das Lajes dois bailinhos, duas danças de pandeiro e uma dança de espada, a única da ilha, organizada pelo presidente da junta de freguesia, que participa também como mestre da dança.

Ao contrário das danças de pandeiro ou dos bailinhos, a dança de espada não pretende fazer rir, mas há cada vez menos grupos a seguir este género, que é mais exigente, desde a dança ao teatro, passando pelo vestuário, que pode custar entre 300 e 500 euros por pessoa.

César Toste é um dos impulsionadores da continuidade destas danças, que são as mais antigas, e, além do gosto que sente ao pisar os palcos, encara a sua participação como uma "responsabilidade social", para evitar que elas desapareçam.

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