Museu de São Jorge, nos Açores, dá a conhecer colchas de lã tradicionais


 

Lusa/AOOnline   Regional   18 de Mai de 2015, 09:49

A mais antiga colcha de lã do museu de São Jorge, nos Açores, com cerca de 100 anos e ainda tingida com plantas, é uma das atrações de uma exposição que é inaugurada esta segunda-feira, dia internacional dos museus.

 

“Esta colcha, em particular, tem quase 100 anos e foi oferecida por uma jorgense. No total, a exposição tem cerca de nove colchas tradicionais de ponto alto”, afirmou a diretora do Museu Francisco Lacerda, Virgínia Reis, em declarações à agência Lusa, acrescentando que a coleção da instituição conta com um total de 12 colchas tradicionais.

As típicas colchas de São Jorge são um ex-líbris da ilha, por serem feitas em teares artesanais, urdidas em linho ou algodão e tapadas em lã, espelhando a mestria das tecedeiras jorgenses. É uma técnica que tem passado de geração em geração.

Os principais motivos utilizados nas colchas são a estrela de oito bicos e os desenhos florais.

Virgínia Reis referiu que as colchas de São Jorge são feitas recorrendo a “cores vivas, como o verde ou o ocre”, sendo que nas de ponto alto “a lã é puxada com uma agulha de croché e fica com relevo”.

Segundo disse a diretora do Museu Francisco Lacerda, ainda hoje é possível encomendar colchas tradicionais na ilha. Existem duas tecedeiras na Fajã dos Vimes e também na Cooperativa da Ribeira dos Nabos se produzem estas peças artesanais, que podem custar entre 500 e 600 euros, dependendo do tamanho.

“Estas colchas também eram vendidas para outras ilhas, permitindo a muitas tecedeiras jorgenses ganharem algum dinheiro. Na ilha Terceira, por exemplo, muitas das colchas que vemos expostas hoje em dias de procissões foram feitas aqui em São Jorge”, referiu Virgínia Reis.

A exposição “Colchas de São Jorge” é inaugurada hoje, no dia internacional dos museus, na sede do Museu Francisco Lacerda, concelho da Calheta, sendo as entradas gratuitas.

Também hoje será inaugurada outra exposição, fotográfica, na Casa dos Tiagos, no Topo, ilha de São Jorge, denominada “O espírito do lugar”, que pertence ao acervo do Museu do Pico.

Desde a década de 90 do século XX que o Museu Francisco Lacerda, que começou como casa etnográfica, está de portas abertas na ilha de São Jorge, tendo desde 2008 como patrono o musicólogo, compositor e maestro jorgense, que teve uma relevante carreira internacional.

O atual edifício onde funciona o museu data de 1811, mas Virgínia Reis referiu haver intenção por parte do Governo Regional dos Açores de construir um novo edifício na ilha, sem avançar datas.

As coleções que integram o acervo do Museu de São Jorge são sobretudo de carácter etnográfico e datam dos séculos XIX e XX, abrangendo a cerâmica, os têxteis/tecelagem, a agricultura, a pecuária e o mobiliário.


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