Mundo precisa de mais 600 milhões de empregos em 15 anos

Mundo precisa de mais 600 milhões de empregos em 15 anos

 

Lusa/AOonline   Economia   2 de Out de 2012, 09:39

As pressões demográficas exigem a criação de 600 milhões novos empregos em todo o mundo na próxima década e meia, sobretudo em África e na Ásia, disse o presidente do Banco Mundial (BM), Jim Yong Kim.

No prefácio do Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial de 2013 do BM, que analisa o papel do emprego no processo de desenvolvimento dos países, Kim alerta que no meio da atual crise económica global cerca de 200 milhões de pessoas em todo o mundo enfrentam o desemprego, 75 milhões das quais têm menos de 25 anos.

“Muitos outros milhões de pessoas, mulheres na maioria, encontram-se totalmente excluídas da força laboral. Olhando para o futuro, nos próximos 15 ambos serão necessários 600 milhões de novos empregos para absorver a crescente população em idade laboral, sobretudo na Ásia e na África subsaariana”, refere ainda Jim Yong Kim.

O relatório do BM conclui ainda que, nos países em vias de desenvolvimento, o problema para os mais pobres não é o desemprego, mas sim empregos que não chegam para assegurar condições de vida dignas.

“Quase metade de todos os trabalhadores dos países em vias de desenvolvimento trabalham em explorações agrícolas de pequena escala ou em atividades próprias, trabalhos que normalmente não vêm com um salário fixo nem com mecanismos de proteção social (…) Muitos têm mais de um emprego e trabalham longas horas mas, demasiadas vezes, não ganham o suficiente para assegurar um futuro melhor para si mesmos e para os seus filhos”, frisa o presidente do BM.

O relatório conclui ainda que os trabalhos que mais contribuem para o desenvolvimento dos países são aqueles ligados aos movimentos de urbanização e que permitem às cidades funcionar melhor, que ligam as economias locais aos mercados globais, protegem o meio ambiente, promovem a confiança e o emprenho cívico, ou reduzem a pobreza, tudo empregos que, sublinha o BM, existem quer no setor formal quer no setor informal da economia.

“O setor privado é o motor fundamental da criação de emprego, criando 90 por cento de todos os empregos dos países em vias de desenvolvimento. Mas os governos têm um papel vital, garantindo condições que permitam ao setor privado fazer a economia crescer e diminuindo as dificuldades à criação de bons empregos”, considera Jim Yong Kim.

O relatório do BM aconselha os governos dos países em vias de desenvolvimento a assegurarem condições fundamentais básicas, como a estabilidade macroeconómica, o primado da lei e o investimento na formação de recursos humanos.

O banco sugere ainda aos países que concebam políticas laborais que se possam traduzir em oportunidades de emprego e que identifiquem “estrategicamente” que postos de trabalho mais ajudam ao desenvolvimento de cada país específico, e acabem com os obstáculos que impedem a criação de um maior número desses empregos.


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