Movimento Defesa da Escola Ponto prevê setembro "atribulado"

Movimento Defesa da Escola Ponto prevê setembro "atribulado"

 

Lusa/AO Online   Nacional   19 de Jun de 2016, 19:02

O movimento Defesa da Escola Ponto previu hoje um início do próximo ano letivo "atribulado à conta da irresponsabilidade de um ministro e da uma secretária de Estado da Educação", que decidiram acabar com contratos de associação.

“Vai ser um mês de setembro atribulado à conta da irresponsabilidade de um ministro e de uma secretária de Estado da Educação, que são manipulados por Mário Nogueira [secretário-geral da Federação Nacional dos Professores]”, afirmou, no Porto, Luís Marinho, representante os pais dos alunos de escolas privadas com contrato de associação, no âmbito de um protesto que juntou milhares de pessoas.

Sob o mote “Contas à moda do Porto”, este protesto teve início pelas 11:30, com uma concentração dos participantes na avenida 25 de abril, zona de Campanhã, de onde saíram em marcha até à avenida dos Aliados, num percurso de cerca de cinco quilómetros.

Com o protesto, quer o movimento “que os alunos se possam continuar a inscrever” nas escolas privadas com contrato de associação, “uma vez que o custo que as turmas representam para o Orçamento do Estado é muito inferior ao que o Ministério da Educação tem de pagar por novas turmas nas escolas públicas”.

Luís Marinho afirmou que esta manifestação teve como objetivo mostrar “as contas certas” em relação aos contratos de associação, acrescentando que cada turma poupa 25 mil euros ao Estado, rejeitando a ideia de “duplicação de custos”.

“São contas certas, contas honradas, de gente séria, e não é a nossa opinião, é ir ao Orçamento do Estado”, frisou, acrescentando que pais, professores e funcionários de escolas com contrato de associação não podem “permitir” e “aceitar um debate baseado na mentira”.

Perante os milhares de manifestantes, o responsável destacou que “o futuro é o que interessa” e que, “em setembro, não vai haver ninguém a ir para as escolas que o Estado” que impor.

Também Manuel Bento, do Núcleo Agregador Defesa da Escola, disse à Lusa que o principal objetivo desta manifestação é mostrar que os colégios com contrato de associação são “um bom negócio para o Estado”, porque permitem poupar “10 milhões ao erário público” com as turmas que o Estado quer fechar no próximo ano letivo e que o movimento defende que se mantenham.

“Nós não estamos contra ninguém, nós somos pela escola, quer seja pública quer seja privada”, respondeu quando questionado se a concentração de hoje era uma resposta à manifestação organizada no sábado, em Lisboa, pela Fenprof, recordando que esta concentração estava já marcada quando foi anunciada a da capital.

No final, no seu discurso, também Manuel Bento não poupou críticas ao Governo socialista, em especial ao ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e à secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, acusando-o de se ter colado “a uma esquerda radical”.

“Não vamos desistir, podem contar connosco para uma luta que vai conduzir certamente à nossa vitória”, disse, “a secretária de Estado não tem noção onde se meteu”.

Segundo Manuel Bento, não “há dúvidas de que o Governo se precipitou” ao decidir acabar com contratos de associação em centenas de turmas de colégios privados, que estão agora “a servir de moeda de troca para qualquer coisa”.

Os manifestantes usaram t-shirts amarelas e, entre o barulho de bombos, apitos e buzinas, fizeram-se ouvir com palavras de ordem como “A escola somos nós, ninguém nos cala a voz”, “Escola unida jamais será vencida” e “Defesa da escola ponto”.

O Governo vai cortar o financiamento, já no próximo ano letivo, em cerca de 370 turmas num total de 650 de início de ciclo que tinham recebido apoios financeiros em 2015.

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