Moscovo acusa Ocidente de usar tratado de armamentos para fins políticos


 

Lusa / Ao online   Internacional   15 de Dez de 2007, 10:39

O chefe do estado-maior militar russo, general Iuri Baluievski, acusou hoje os governos ocidentais de estarem a servir-se de um tratado de controlo de armamentos "para fins políticos" contra a Rússia.
    "Os Estados ocidentais transformaram deliberadamente um acordo de controlo de armamentos num instrumento ao serviço de finalidades políticas", denunciou o general Baluievski durante uma conferência de imprensa transmitida pela televisão oficial.

    A Rússia cessou no passado dia 12 de Dezembro de aplicar o Tratado sobre as Forças Convencionais na Europa (FCE), um dos principais mecanismos para garantir a segurança no continente europeu, que limita os armamentos do Atlântico aos Urais.

    Os 26 países da NATO já lamentaram a decisão tomada por Moscovo.

    O chefe militar russo advertiu ainda que um eventual tiro de intercepção a partir do escudo anti-mísseis que os Estados Unidos pretendem instalar na Europa do Leste poderá desencadear uma resposta acidental por parte da Rússia.

    "Refiro-me ao risco de uma resposta de represália que seja desencadeada por interpretação errada de um disparo de míssil de intercepção", afirmou o general Baluievski.

    O general russo explicou, desta forma, ser possível que as Forças Armadas russas confundam um tal míssil de intercepção com um míssil balístico ofensivo dirigido contra a Rússia.

    Para o general Baluievski, com a instalação do sistema de defesa na Europa, os Estados Unidos pretendem alterar o equilíbrio europeu, apesar de oficialmente dizerem que pretendem combater mísseis balísticos com ogivas nucleares.

    "O objectivo real da terceira zona de poscionamento do sistema antimíssil americano não corresponde ao seu objectivo oficial. Visa procurar modificar o equilíbrio europeu dos sistemas de defesa", afirmou, acrescentando: "Nem o Irão, nem a Coreia do Norte possuem mísseis desse tipo".

    o general Baluievski referiu ainda que os Estados Unidos não excluem a possibilidade de um confronto directo com a Rússia.

    "A questão de um confronto com a Rússia, nomeadamente directo, infelizmente não foi retirada da ordem do dia pelos meus parceiros do Pentágono", afirmou.

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