Morreu segundo militar dos comandos


 

AO/Lusa   Nacional   10 de Set de 2016, 14:48

O segundo militar dos comandos que estava internado no hospital em estado muito grave morreu hoje, depois de problemas ocorridos durante o 127.º curso de comandos do exército, disse hoje o ministro da Defesa.

 

O militar em causa é Dylan Araújo da Silva e encontrava-se internado no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, desde o dia 06 de setembro, devido a complicações hepáticas.

Numa cerimónia de inauguração do monumento em homenagem aos combatentes em Monforte, o ministro Azeredo Lopes deu conta da morte do militar dos comandos, entretanto confirmada à Lusa pelo porta-voz do Exército, o tenente-coronel Vicente Pereira, em comunicado.

"É com profundo pesar e consternação que o Exército informa que faleceu hoje, dia 10 de setembro de 2016, pelas 09:25 horas, o Soldado Dylan Araújo da Silva", lê-se no comunicado.

O documento acrescenta ainda que "neste momento de luto, dor e sofrimento para a família e para o Exército", o General Chefe do Estado-Maior do Exército, General Frederico José Rovisco Duarte, "transmitiu à família todo o apoio e solidariedade".

O apoio psicológico aos familiares continua a ser assegurado através do Centro de Psicologia Aplicada do Exército, refere ainda o porta-voz.

Esta é a segunda morte de um militar na sequência do treino dos Comandos na região de Alcochete, no distrito de Setúbal, que decorreu no domingo passado (04 de setembro). No dia do treino um militar morreu e vários outros receberam assistência hospitalar.

Um desses militares que estava com prognóstico reservado tratava-se de Dylan Araújo da Silva.

Em Monforte, Azeredo Lopes classificou o momento como “de enorme tristeza e de silêncio”.

“Apresento as minhas mais profundas condolências à família. Não cabe agora outra coisa em relação a quem morreu senão o silêncio e o recolhimento”, afirmou o ministro da Defesa.

O caso já desencadeou investigações na Justiça – instauradas quer pelo chefe do Estado-Maior do Exército, quer pela Procuradoria-Geral da República - e levou à suspensão dos cursos de Comandos do Exército.

Questionado sobre as investigações em curso, o ministro da Defesa disse hoje que não irá fazer antecipações sobre eventuais conclusões quando ainda há trabalhos a decorrer.

“Não vou antecipar, opinar sobre o andamento da investigação quando se acaba de saber que se perdeu uma vida”, afirmou Azeredo Lopes, considerando “macabro e de mau gosto” eventuais considerações neste momento.

E reforçou: “O inquérito é para se saber o que se passou, saber serenamente e sem quaisquer outras intenções, mas nesta altura é um momento de enorme tristeza, morreu alguém, perdeu-se uma vida nas Forças Armadas e é isso que nos cabe fazer, silenciar, recolhermos e pensar naquele que partiu”.

Já sobre a notícia do Expresso de que “Governo admite extinguir comandos”, o ministro da Defesa recusou comentar diretamente, afirmando apenas que se estivesse sempre a desmentir notícias não verdadeiras não faria outra coisa.

“O Exército entendeu através do seu Chefe do Estado-Maior que não se iniciariam novos cursos até se fazer uma avaliação transversal sobre o seu funcionamento e sobre a formação”, disse, acrescentando que aquele "entendeu, em relação ao curso que estava a decorrer, que não será reiniciado antes de serem feitos exames médicos a todos os que nele participarem”.

Durante a inauguração do monumento em homenagem aos combatentes em Monforte, o ministro da Defesa disse ainda que "o Governo quer deixar bem claro e não apenas simbolicamente, que está a fazer tudo para garantir as máximas condições e apoios a todos os ex-combatentes, em especial àqueles que infelizmente são agora, e por causa disso, portadores de alguma deficiência”.


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