Morreu ex- primeiro-ministro irlandês artífice do cessar-fogo de 1994 com o IRA

Morreu ex- primeiro-ministro irlandês artífice do cessar-fogo de 1994 com o IRA

 

Lusa/AO online   Internacional   21 de Ago de 2014, 11:38

Albert Reynolds, antigo primeiro-ministro irlandês que em 1994 assinou um cessar-fogo histórico com o Exército Republicano Irlandês (IRA), morreu hoje aos 81 anos, noticiou a televisão pública irlandesa RTE.

 

Segundo a televisão, a informação foi dada pelo filho mais velho de Reynolds, Philip, que anunciou hoje de manhã a morte do pai durante a madrugada.

Eleito deputado pela primeira vez em 1977 pelo Fianna Fail, o partido irlandês de centro-direita, Albert Reynolds foi várias vezes ministro e, por duas vezes, primeiro-ministro: em 1992 e entre 1993 e 1994.

Como chefe do governo teve um papel chave nas negociações de paz que levaram a um acordo de cessar-fogo com o IRA.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, lamentou a morte de Reynolds e destacou a sua contribuição “decisiva” para o processo de paz, numa mensagem na rede social Twitter.

O presidente do Sinn Fein, Gerry Adams, também homenageou Reynolds através do Twitter, afirmando que agiu “quando era importante”.

“Ele não tinha medo de correr riscos políticos para avançar no caminho da reconciliação”, afirmou por seu lado o ex-primeiro-ministro irlandês Bertie Ahern, sucessor de Reynolds na liderança do partido.

Em 1993, Reynolds assinou a “Declaração de Downing Street” com o homólogo britânico, John Major, abrindo caminho à inclusão dos extremistas da Irlanda do Norte, católicos ou protestantes, no processo político.

O documento, que foi seguido meses mais tarde por um cessar-fogo do IRA, é considerado um dos textos precursores dos acordos de Sexta-Feira Santa de 1998, que puseram termo a 30 anos de guerra civil entre republicanos católicos, partidários de uma união com a Irlanda, e os unionistas protestantes, defensores da permanência no Reino Unido.

Albert Reynolds demitiu-se da chefia do governo quando a coligação que tinha com os trabalhistas se desfez no âmbito de uma polémica relacionada com a extradição de um padre pedófilo.

Em 2002 retirou-se da vida política.

O filho, Philip, revelou em 2013 que Reynolds sofria da doença de Alzheimer.


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