A decisão foi tomada na sequência de uma reunião com comerciantes, onde moradores preocupados com a presença no centro da cidade de toxicodependentes em tratamento também fizeram questão de participar.
Como sublinhou Mário Fortuna, presidente da CCIPD, após a reunião, “o que está em causa é a segurança e a normalidade da vida no centro da cidade, quer para comerciantes, quer para residentes, e obviamente para os nossos visitantes”, pois, acrescentou, “queremos que a cidade seja apelativa para os turistas que nos visitam e é importante deixar uma boa imagem”.
A Câmara do Comércio já havia tomado posição em carta dirigida ao secretário regional da Saúde, com conhecimento da Câmara de Ponta Delgada e da própria Arrisca. E, embora a direção da Arrisca já tenha dito que pretende ter a mudança de instalações concluída no início de junho e ainda não tenha havido nenhuma resposta à carta da associação de empresários, a direção da CCIPD espera que “haja uma sensibilidade efetiva, porque é importantíssimo que haja consenso e um acerto de posições”.
Até porque, na opinião de Mário Fortuna, “o problema carece de uma abordagem sensata, ou seja, deve ser encontrada uma localização melhor para a função que a Arrisca exerce e que nós valorizamos muito como sociedade”. Isto porque, sustenta, “é aconselhável que esses tratamentos se façam em lugares mais discretos onde não haja, nem interferência dos que estão a ser tratados com a demais população, nem interferência da população com quem está a ser tratado”.
É essa a opinião dos comerciantes. Como sublinhou Carlos Sá, da loja “A Londrina”, “há sítios próprios, como a Casa de Saúde de São Miguel que tem muito espaço”, questionando se o dinheiro que estão pagar de renda não poderia ser mais bem utilizado. O empresário, tal como outros comerciantes, teme a insegurança e “uma má imagem do centro” e vai adiantando o cenário futuro: “o Largo Vasco Bensaúde será fotocópia do Largo 2 de Março”.
José Franco, da “Riviera” secunda esta posição e diz que o assunto “deve ser resolvido com paz para bem do comércio, dos moradores e da própria cidade”, porque “há outros espaços na cidade e na periferia mais discretos”.
José Carlos, outro comerciante na área da decoração, teme “os conflitos” e “o afastamento dos clientes” de uma zona onde se concentra ainda bastante comércio.
Helena Rodrigues, moradora, diz que o sentimento de insegurança entre os moradores já é uma realidade - “os moradores já não abrem a porta sem verem à janela quem é” - e que esta mudança da Arrisca irá agravar o problema, sustenta.
