Monumento ao português 'Joe Silvey' testemunha ligação aos povos indígenas

Monumento ao português 'Joe Silvey' testemunha ligação aos povos indígenas

 

Lusa/AO Online   Regional   26 de Abr de 2015, 19:50

O monumento de homenagem ao português 'Joe Silvey', inaugurado hoje, em Vancouver, Canadá, "é um ponto de reconciliação" entre os Povos das Primeiras Nações e a restante comunidade, sublinharam os responsáveis locais durante nas cerimónias oficiais.

Gregor Robertson, o 'mayor' de Vancouver, no seu discurso, no Brockton Point do Stanley Park, onde está localizada a estátua do "português Joe Silvey", afirmou que esta "é uma cidade de reconciliação" para com os Povos das Primeiras Nações, estando dois vereadores a trabalhar mais diretamente com os nativos.

"Estamos a trabalhar arduamente para sermos a cidade da reconciliação. Vamos todos trabalhar neste objetivo multi-geracional. Estamos a tentar ser um modelo para um futuro cheio de esperança, harmonioso, entre as nossas culturas. Este é um símbolo do desenvolvimento que fizemos", sublinhou o autarca, perante um milhar de portugueses e nativos, muitos deles familiares de Joe Silvey, que chegou à Columbia Britânica em 1860, proveniente da ilha do Pico.

O monumento, localizado em Stanley Park, foi concebido pelo bisneto de Silvey, o escultor Luke Marston, e inclui a estátua do baleeiro açoriano e das suas duas mulheres nativas, sobre uma calçada portuguesa, para fazer a ligação ao país de origem.

Passam pelo Stanley Park anualmente cerca de 10 milhões de visitantes, segundo dados divulgados pela Câmara Municipal de Vancouver.

Vancouver, cidade portuária na Columbia Britânica, é um dos centros urbanos do Canadá com maior diversidade étnica. A Primeiras Nações refere-se a povos indígenas localizados no atual território do país, assim como a descendentes.

Hoje, durante a inauguração, Joe Silvey foi ainda 'acusado' de ser o responsável pelo multi-culturalismo no Canadá, visto ter sido um dos primeiros a ter constituído matrimónio com duas mulheres nativas.

"Joe Silvey começou a construir aquela sociedade multi-cultural. A partir daquele momento passámos a ter um história multi-cultural. Essa era a nossa sociedade da Colúmbia Britânica, em que ainda celebramos uma mistura de cultura, de pessoas de prosperidade", disse a ministra da Justiça e procuradora-geral provincial, Suzanne Anton.

A governante, que já lecionou em Portugal, além dessa ligação que tem com os portugueses, sendo ainda uma das proprietárias de terreno na ilha de Reid, que outrora pertenceu a Joe Silvey.

O português, que há cerca de 150 anos chegou ao Canadá, "veio à procura de aventura, de uma vida melhor, de novos ideais", para recomeçaram de novo a corrida ao ouro, realçou a vice-governadora para a Colúmbia Britânica, Judith Guichon.

"Eles [imigrantes] trouxeram nova tecnologia, novas ideias. Como aventureiros, vieram com a mente aberta, [dispostos] a aprender com os povos nativos. Não vieram para cá convencidos de que a sua maneira era a única de fazer as coisas. Foi um momento dourado da história. Hoje em dia, continuamos a receber novos imigrantes com outros ideias e novas tecnologias. Eles aproximam-se [tecnológicamente], e enfrentamos a tarefa de absorver essa informação para decidir qual é a melhor forma de vida, nas nossas terras", declarou a representante da rainha Isabel II na província.

Judith Guichon concluiu que este é um desafio para algo que denomina dos "três R's" - "respeito, relacionamento e responsabilidade" -, e o trabalho desenvolvido pelo bisneto de Silvey, o escultor Luke Marston, "é um exemplo disso mesmo", declarou.

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