Ministro das Finanças diz que administração do Banif foi ouvida sobre solução adotada

Ministro das Finanças diz que administração do Banif foi ouvida sobre solução adotada

 

Lusa/AO Online   Economia   23 de Dez de 2015, 05:12

Os elementos do Conselho de Administração do Banif foram ouvidos sobre a solução adotada para o banco, que passou por uma medida de resolução com venda de ativos, garantiu hoje o ministro das Finanças, Mário Centeno.

 

"A administração do Banif conduziu o processo de venda, que começou no final do verão, e foi naturalmente ouvida, porque foi a administração do Banif que informou as autoridades sobre as ofertas que existiam para o Banif", afirmou o governante, no parlamento, reforçando que "todos os intervenientes do processo estavam informados sobre as condições de sucesso do processo sem intervenção do Fundo de Resolução".

Paralelamente, o ministro das Finanças destacou que "a administração de Jorge Tomé foi reconduzida ainda este ano" pelo executivo de Passos Coelho.

Isto, numa altura em que era confrontado por alguns deputados sobre o fracasso dos sucessivos planos de reestruturação do Banif que eram enviados para Bruxelas.

A Lusa noticiou hoje que o Conselho de Administração do Banif demarcou-se, numa carta enviada aos colaboradores, da solução encontrada de venda do banco ao Santander, alegando que "não foi ouvido nem incluído nas negociações" desenvolvidas pelas autoridades.

"A opção que agora foi encontrada pelas autoridades não é a solução deste Conselho de Administração, que não foi ouvido nesta decisão, nem incluído nas negociações que a concretizaram", lê-se na carta do Banif a que a Lusa teve hoje acesso.

Na missiva, com data de domingo, o Conselho de Administração, que agora cessa funções, salienta que a venda do Banif encerra "um ciclo de vários anos de luta pela sobrevivência do banco, enquanto entidade prestadora de serviços bancários universais, autónoma e independente".

O Conselho de Administração lamenta "profundamente" que "todos os esforços desenvolvidos não tenham sido suficientes" para dotar o Banif de uma "estrutura acionista estável, com um investidor de referência apto a aportar os capitais de que o banco necessitaria para prosseguir a estratégia de negócio delineada, vendendo a posição do Estado português numa operação de mercado, com criação de valor para os seus acionistas e clientes".

"Estamos todavia seguros de que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para alcançar tais objetivos e que tal só não foi possível por circunstâncias que não puderam ser previstas", acrescenta o documento, que termina com um agradecimento a todos os colaboradores pelo "inexcedível esforço e dedicação".

O Governo e o Banco de Portugal optaram pela venda do Banif ao Banco Santander Totta, por um valor de 150 milhões de euros, no âmbito da medida de resolução aplicada ao banco cuja maioria do capital pertencia ao Estado português, de forma a impedir a sua liquidação.

Mário Centeno falava durante a sua audição na Comissão de Orçamento e Finanças, devido ao Orçamento Retificativo apresentado pelo Governo para acomodar os custos relacionados com a medida de resolução aplicada ao Banif no último fim de semana.

 

 



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