Ministro da Defesa assume "responsabilidade política" pelo assalto a paióis em Tancos

Ministro da Defesa assume "responsabilidade política" pelo assalto a paióis em Tancos

 

AO/Lusa   Nacional   1 de Jul de 2017, 14:16

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, disse hoje em Castelo Branco que assume a "responsabilidade política" após o furto de material de guerra em Tancos pelo "simples facto de estar em funções".

 

“Assumo a responsabilidade política pelo simples facto de estar em funções”, disse Azeredo Lopes à margem das comemorações do 65.º aniversário da Força Aérea Portuguesa.

"O simples facto de estar em funções, implica uma responsabilidade quotidiana e não é agora que eu me vou escusar a ela. O que chamo a atenção é para a natureza distinta das circunstâncias que envolvem este caso. Pelas circunstâncias pelas quais diretamente eu respondo, procurei esclarecer e procurei explicar", sustentou.

Já quanto às restantes responsabilidades, Azeredo Lopes explicou que, como já teve ocasião de dizer e, "sem presumir nada, terei de esperar pelas conclusões do inquérito interno" e garantiu que elas vão existir.

"Vou ter de esperar pelas conclusões da auditoria (...) e vou também esperar pela reflexão que, necessariamente, também promeverei junto das chefias dos três ramos [das Forças Armadas], para que possamos, trabalhando em conjunto, encontrar forma de este tipo de situações poder ser detetado mais cedo e, em segundo lugar, podermos evitar a sua repetição", disse.

O governante explicou que a gravidade da situação foi afirmada desde o início e adiantou que não é a circunstância de comunicar a situação aos diferentes países com quem Portugal se relaciona que a agrava ou que a diminui.

"Do que se tratou foi, imediatamente, pôr em ação um conjunto de mecanismos que, não podendo evitar aquilo que aconteceu, permitissem, pelo menos, dar a conhecer àqueles que precisavam de conhecer este facto a circunstância do furto que ocorreu em Tancos", afirmou Azeredo Lopes, tendo em conta que a abertura de fronteiras torna possível que os autores do furto já não estejam no territorio nacional.

"Manda a lealdade e o esforço comum do combate a este tipo de tráficos e de combate às ameaças à nossa segurança e à segurança dos países que connosco colaboram, foi essa a circunstância que determinou imediatamente dar a conhecer os processos normais", frisou.

Questionado sobre o facto de o sistema de videovigilância estar inoperacional há dois anos, o governante confirmou esse facto, mas adiantou que foram tomadas medidas.

"Foi tomada, desde logo, uma medida já efetivada, aliás de autorização de realização de despesa, bem para cima de 300 mil euros, para reforço e consolidação das vedações que garantiam proteção exterior destes equipamentos. Em segundo lugar, foi inscrita, e isso é demonstrável na lei de progamação militar, uma verba 95 mil euros, para execução em 2017, de um novo sistema de videovigilância", explicou.

Já quanto aos restantes paióis, disse que, "feliz ou infelizmente, é sempre depois da ocorrência dos factos que nós reforçamos as medidas de proteção e esse reforço (...) foi determinado imediatamente pelas chefias militares".

José Azeredo Lopes adiantou que vai ao parlamento e ali dará as respostas às questões que os deputados entenderem colocar.

O Exército revelou na sexta-feira que entre o material de guerra furtado na quarta-feira dos Paióis Nacionais de Tancos estão "granadas foguete anticarro", granadas de gás lacrimogénio e explosivos, mas não divulgou quantidades.

"Para além das granadas de mão ofensivas e das munições de 9 mm, foram também detetadas as faltas de granadas foguete anticarro, granadas de gás lacrimogéneo, explosivos e material diverso de sapadores, como bobines de arame, disparadores e iniciadores", indicou o Exército.


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