Ministério Público pede condenação de oito pessoas por injúrias e ameaças a árbitros e PSP

Ministério Público pede condenação de oito pessoas por injúrias e ameaças a árbitros e PSP

 

Lusa/AO Online   Regional   8 de Jun de 2015, 19:46

O Ministério Público pediu hoje a condenação, com penas de multa, de oito arguidos de um caso de alegas injúrias e ameaças de morte aos árbitros e elementos da PSP num jogo de futebol de juvenis, na Lagoa, Açores, em 2012.

Nas alegações finais, o procurador do Ministério Público pediu, no entanto, a absolvição de outros dois arguidos, um deles o roupeiro do Clube Operário Desportivo, e de uma mulher, acusados de "desferirem murros" no vidro do carro policial que "efetuava a escolta" e onde se encontrava um subcomissário da PSP.

Segundo o procurador, no caso do roupeiro, "não foi produzida prova", enquanto que o alegado ato da mulher “foi uma malcriação e não uma ameaça”.

Quanto aos restantes oito arguidos, o Ministério Público entende que "praticaram os crimes" e "devem ser condenados com pena de multa", uma decisão “adequada ao caso concreto”.

O procurador frisou, ainda, nas alegações finais, no tribunal de Ponta Delgada, nos Açores, que "não restam duvidas de que no calor do jogo tenham sido proferidas ameaças", tanto mais "tratando-se de um jogo decisivo", e acrescentou ainda que os próprios agentes da PSP confirmaram.

"Não vejo interesse dos agentes inventarem as ameaças", frisou.

Contudo, no entender de alguns dos advogados de defesa, os agentes da PSP apareceram em tribunal com "uma versão concertada" e com "testemunhos discrepantes", no início, e consideraram também que "não foi produzida prova suficiente".

As defesas dos arguidos chamaram ainda a atenção para o facto de serem proferidas certas expressões que acabam por ser ditas “no dia a dia” do futebol e, neste caso, foram ditas no “calor da discussão” e até "na defesa intransigente das cores do clube", até porque "estava também em causa um título" e o público “exaltou-se”, mas "não tiveram intenção de ameaçar".

Este caso aconteceu a 24 de novembro de 2012 durante um jogo de juvenis - 2.ª fase - entre as equipas do Clube União Micaelense e o Clube Operário Desportivo a contar para o campeonato de São Miguel, no Campo de Jogos da Lagoa, ilha São Miguel, nos Açores.

Estava a ser disputada a penúltima jornada e o Operário, equipa local, perdeu a partida por uma bola.

A "cerca de 35 minutos da segunda parte, e na sequência de uma grande penalidade assinalada pelo árbitro", um dos arguidos, "delegado da equipa dos iniciados" do clube da Lagoa, "saltou o muro" e "introduziu-se no campo de futebol, junto ao local onde estava o árbitro assistente, com o qual trocou algumas palavras", e "seguidamente regressou rapidamente às bancadas, não tendo dado tempo à PSP para o deter", refere o Ministério Público.

"Após a marcação da grande penalidade", um outro arguido "também resolveu invadir" o campo e "saltou para dentro do relvado junto do local onde se encontrava" o outro árbitro assistente.

A partir daqui, e segundo a acusação, desenrolaram-se os alegados insultos e ameaças de morte dos arguidos à equipa de arbitragem e agentes da PSP.

Um dos arguidos, o "delegado do jogo da equipa dos iniciados do Clube Operário Desportivo", que alegadamente estava com mais adeptos a manifestar-se contra a equipa de arbitragem, “furou a barreira e desferiu um pontapé na perna esquerda do árbitro provocando-lhe um hematoma".

Na altura, a polícia acabaria por "não efetuar detenções daqueles arguidos", porque "não" existiam "condições de segurança e devido à confusão e ajuntamento de pessoas no local".

Ao local foi também chamada "uma equipa de intervenção rápida da PSP que escoltou a equipa de arbitragem para que esta pudesse sair em segurança" e "foi necessário recorrer ao uso de gás pimenta para dispersar o ajuntamento de pessoas", segundo a acusação.

A leitura do acórdão ficou marcada para dia 17 de junho.

 



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