Minas terrestres causaram 3678 mortes em 2014


 

Lusa/AO online   Internacional   26 de Nov de 2015, 11:03

O total de vítimas mortais de minas terrestres registadas em 2014 em 56 países aumentou 12% face a 2013, matando 3.678 pessoas (média diária de 10), refere um relatório internacional sobre a situação até outubro deste ano.

 

No relatório, a Campanha Internacional para Eliminar as Minas Terrestres (ICBL - sigla inglesa para International Campaign to Ban Landmines), é analisada a situação nos 162 países que assinaram o Tratado para a Eliminação das Minas, 80% das vítimas mortais são civis e, deles, 39% são crianças, "quando a idade é conhecida".

O documento adianta que, em muitos países em que se registaram mortes, não foram contabilizados, porém, os feridos, sobretudo em zonas de conflito, pelo que o número de vítimas mortais "pode ser significativamente superior", embora o total de 2015 seja o segundo mais baixo desde que a ICBL começou, em 1999, a elaborar relatórios sobre o tema.

De outubro de 2014 a outubro deste ano, indica a ICBL, três Estados, todos eles não signatários do tratado, permitiram que as respetivas forças armadas utilizassem minas terrestres - Birmânia, Coreia do Norte e Síria -, o mesmo sucedendo com grupos rebeldes ou não governamentais de 10 países - Afeganistão, Birmânia, Colômbia, Iémen, Iraque, Líbia, Paquistão, Síria, Tunísia e Ucrânia.

O Afeganistão é o país onde morreram mais pessoas em 2014, 1.296 (mais do que as 1.050 registadas em 2013).

Tal como há dois anos, o total de áreas livres de minas terrestres aumentou no Afeganistão, Camboja e Croácia, países que representam cerca de 75% do total limpo.

Nos últimos cinco anos, foram desminados cerca de 980 quilómetros quadrados de terra, ao mesmo tempo que foram destruídas, no terreno, 1,48 milhões de minas antipessoais e 82 mil anticarro.

Segundo os últimos dados apurados pelo relatório, a ICLB relembra que Moçambique declarou-se "livre de minas" em setembro já deste ano e que o Burundi deixou de ter suspeitas quanto à existência de minas no país.

Para este combate, refere a ICLB, os doadores contribuíram com cerca de 610 milhões de dólares para a desminagem (menos 5% do que em 2013), com Estados Unidos, União Europeia (UE), Japão, Noruega e Holanda a constituírem 72% do total.

Angola está entre os cinco maiores recebedores de financiamento, atrás do Afeganistão, Laos e Iraque, e à frente do Camboja, com 45% do total das contribuições.

Desde 1999, refere o relatório, os países signatários do tratado já destruíram mais de 49 milhões de minas dos respetivos "stocks" nacionais, 550 mil delas em 2014, ano em a Finlândia deu por findo o processo de eliminação do milhão que detinha.

Aguarda-se que Bielorrússia, Grécia, e Ucrânia cumpram o programa de destruição de nove milhões de minas.

Entre os países não signatários do tratado, nove, seis deles produtores, criaram uma moratória às exportações de minas antipessoal - Cazaquistão, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Índia, Israel, Paquistão, Rússia e Singapura.

Entre os estimados 50 países produtores de minas terrestres antes da assinatura do tratado, apenas 11 estão atualmente identificados como tal: Birmânia, China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Cuba, Índia, Irão, Paquistão, Rússia, Singapura e Vietname.

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