Militares contra alterações à assistência na doença

Militares contra alterações à assistência na doença

 

Lusa/AO Online   Nacional   10 de Jan de 2015, 10:01

A Associação dos Oficiais das Forças Armadas (AOFA) considerou hoje inaceitável e "um ultraje à família militar" a alteração que o Governo pretende introduzir ao subsistema de saúde dos militares.

“O objetivo do diploma é colocar também os cônjuges a pagar o subsistema de saúde. Quem quiser aderir vai pagar um valor”, disse à agência Lusa o presidente da AOFA, Pereira Cracel.

Para a AOFA, trata-se de “uma completa desconsideração” pelos militares: “O princípio que está aqui a ser colocado em causa é a saúde da família militar”.

Em comunicado emitido na sexta-feira à noite, a AOFA afirmou ter sido convocada para uma reunião com a secretária de Estado da Defesa Nacional, Berta Cabral, na quinta-feira, para tomar conhecimento das alterações ao regime de acesso à ADM (Assistência na Doença aos Militares).

Os militares descontam todos os meses 3,5 por cento do ordenado para este subsistema, segundo o coronel.

Com a nova fórmula, afirmou, haverá esposas de militares que terão acesso a este sistema, porque podem pagar, e outras não.

“O ordenado de um general não é o mesmo de um praça” sublinhou, defendendo que estão em causa princípios de equidade e a “coesão da própria família militar”.

A associação tem também recebido queixas devido a cartões de saúde de mulheres de militares que caducaram no final do ano e que a secretária de Estado terá prometido resolver.

"Disse que os serviços estavam a emitir credenciais, mas temos informação em contrário", afirmou.

“Há casos graves de pessoas com problemas oncológicos até, que têm de fazer tratamentos e se veem obrigadas a pagar as despesas na totalidade”, frisou Pereira Cracel.

O subsistema foi criado para assegurar aos militares assistência na doença e às respetivas famílias “para que o militar na frente de combate não tenha essa preocupação”, explicou.

Os militares já comunicaram a sua posição às chefias e pretendem desenvolver outras ações sobre esta matéria, indicou Pereira Cracel.

”Paulatinamente, o Governo vai degradando ou eliminando os direitos que deviam servir de contrapartida ao leque vastíssimo de restrições e deveres que nos são impostos”, afirmou a associação no comunicado distribuído também junto dos associados.


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