Milhares protestam contra fecho de urgência hospitalar


 

Lusa/AOonline   Nacional   23 de Dez de 2007, 17:34

Milhares de pessoas efectuaram esta tarde uma marcha lenta em Anadia, em protesto contra o anunciado encerramento das urgências do Hospital José Luciano de Castro que abrange ainda vários concelhos vizinhos.
  A população concentrou-se na Praça do Município e marchou depois até ao Hospital José Luciano de Castro, que presta também cuidados de saúde aos habitantes dos concelhos de Mealhada, Mortágua, Oliveira do Bairro e parte de Cantanhede, estendendo-se ainda até ao IC2.

    Numa tarde de sol, os manifestantes gritaram palavras de ordem contra o Governo e o ministro da Saúde, num cortejo que era encabeçado pelo presidente da Câmara municipal e por presidentes de juntas de freguesia e duas viaturas com altifalantes.

    Litério Marques, presidente da autarquia de Anadia, acusa o ministro da Saúde, Correia de Campos, de "se ter portado mal" neste processo, por ter dito que "ia tratar o concelho diferente porque era um caso diferente".

    "Nunca me disse que encerrava as urgências", garantiu, acrescentando que se sente "enganado".

    "Anadia é um caso diferente porque tem um hospital com todas as condições, onde os governos gastaram nos últimos dois/três anos cerca de três milhões de euros, em renovação de instalações e equipamentos", explicou o autarca social-democrata.

    O edil salientou ainda que se trata de um hospital certificado, com um corpo clínico, de enfermagem e administrativo completíssimo, onde se fazem intervenções cirúrgicas e que abrange uma população superior a 100 mil habitantes.

    "Nunca nos foi proposto qualquer acordo e as propostas que encerram são tão vagas, que nem propostas são", afirmou Litério Marques, quando questionado sobre a existência de um protocolo com o ministro da Saúde.

    Segundo o presidente da Câmara, ainda não existe nenhuma comunicação por escrito a informar que as urgências do hospital vão encerrar, apenas uma ordem de serviço da Administração Regional de Saúde do Centro a anunciar o fecho no dia 02 de Janeiro.

    "Com o pretexto de nos tirar as urgências, estão a encerrar definitivamente o Hospital de Anadia", disse Litério Marques.

    "Só uma pessoa que não tenha bom senso é que não vê nesta massa humana a reprovação da sua atitude. O senhor ministro não está informado, deve vir ao local informar-se e falar comigo", sugeriu o autarca.

    O presidente da autarquia afirmou ainda que se o ministro da Saúde não voltar atrás na sua intenção, a comunidade de Anadia está disponível para avançar com medidas jurídicas que possam "impedir o Governo de retirar ao município aquilo que está consagrado na Constituição: o direito à saúde".

    Otília Silva, de Anadia, que participava no protesto, não entende como é "que o Governo pretende encerrar um hospital onde não falta nada e que é o segundo melhor a nível nacional com melhores equipamentos".

    O concelho de Anadia, no distrito de Aveiro, possui 15 freguesias e uma população de 32 mil habitantes, que vive maioritariamente da agricultura.

    O dia de hoje foi marcado por uma outra manifestação de cerca de 200 pessoas, em Alijó, contra o encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) durante o período nocturno, anunciado pelo Ministro da Saúde para "depois das Festas".


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