Milhares de turistas e emigrantes nas festas Sanjoaninas de Angra do Heroísmo

Milhares de turistas e emigrantes nas festas Sanjoaninas de Angra do Heroísmo

 

Lusa/AO Online   Regional   19 de Jun de 2015, 11:37

Milhares de pessoas deslocaram-se à ilha Terceira,para assistir às festas Sanjoaninas, que decorrem de hoje a 28 de junho e que este ano homenageiam os emigrantes açorianos.

 

"Já temos a hotelaria aqui na cidade esgotada e, no que diz respeito às viagens, temos um afluxo muito superior ao normal", salientou, em declarações à Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Álamo Meneses.

Pelas contas do autarca, só a partir da ilha de São Miguel, a maior dos Açores, deverão chegar cerca de 3.000 pessoas, mas também das restantes ilhas do arquipélago devem deslocar-se "mais um milhar ou dois".

A autarquia investiu, este ano, na promoção das festas no continente e os voos de Lisboa encheram, bem como os que chegam dos Estados Unidos da América (EUA) e do Canadá, que trazem muitos emigrantes.

"Estas festas são as maiores festas dos Açores, de longe. São aquelas que mais gente mobilizam", salientou Álamo Meneses.

Numa ilha com cerca de 55 mil habitantes, a chegada de milhares de turistas e emigrantes para as festas pode representar a recuperação do negócio em tempos de crise para os pequenos comerciantes.

"Naturalmente, isto tem um impacto grande na economia da ilha. Aliás, temos aqui vários pequenos empresários que esperam pelo Natal e pelas Sanjoaninas como os dois grandes momentos do seu ano, aqueles em que equilibram as suas contas", explicou o autarca.

Durante dez dias, as festas concelhias de Angra do Heroísmo celebram o São João com marchas, música, cortejos, desporto, tauromaquia, exposições, etnografia, gastronomia, entre outras atividades.

Este ano, o tema das festas, "Angra, memória dos meus encantos", é uma homenagem aos emigrantes açorianos, que partiram em busca de um futuro melhor, mas mantiveram as suas tradições e contribuíram para o desenvolvimento da sua terra.

O programa das festas integra também a comunidade emigrante, com a cantora lusodescendente Nélia no cartaz musical principal e com as atuações noutros palcos de uma filarmónica, um grupo folclórico e cantadores ao desafio, para além da apresentação de um livro escrito por emigrantes e da realização de um jogo de futebol com uma equipa do Canadá.

As Sanjoaninas iniciam-se sempre com o cortejo do séquito real, em que desfilam pelas principais ruas da cidade carros alegóricos alusivos ao tema, que transportam uma jovem escolhida como rainha das festas, o seu chefe de protocolo, a sua camareira e as duas damas.

Há vários anos que as festas convidam damas das principais comunidades de emigrantes açorianos e este ano, para além de três damas dos Estados Unidos e do Canadá, integram o desfile três jovens de cidades irmãs de Angra do Heroísmo nos EUA (Gilroy, Gustine e Tulare).

Betty Correia é a dama de Montreal, no Canadá, e apesar de nunca ter estado nas Sanjoaninas, sempre viu a mãe a assistir às festas na televisão ou na internet.

Com os pais naturais da ilha Terceira, a jovem fala melhor português do que inglês e participa frequentemente nas festas do Espírito Santo (tradição açoriana) em Montreal.

Já Brittney Souza, neta de um português, mas sem raízes nos Açores, fala apenas em inglês e descobriu as Sanjoaninas quando recebeu um convite para ser a dama de Gilroy.

Foi também depois de ser convidada para participar nas Sanjoaninas que se apercebeu da dimensão da comunidade açoriana em Gilroy, porque muitos dos jovens a quem contou do convite não só conheciam as festas como visitavam a Terceira com frequência.

Baptista Vieira, emigrante em São José da Califórnia há mais de 60 anos, disse que o avião veio cheio e algumas pessoas já não conseguiram bilhete.

Natural de São Jorge, comprou casa Angra do Heroísmo e há seis anos que não perde as Sanjoaninas: "Adoro esta festa e acho que a maior parte dos portugueses que vem cá, vem pela festa".

O emigrante considerou "muito interessante" a participação de grupos das comunidades nas festas, realçando que muitos dos jovens que integram as filarmónicas e os grupos de folclore, mesmo tendo nascido já nos EUA, falam português e respeitam as tradições açorianas, mas nunca tinha visitado a terra dos pais.

Também em Tulare, cidade irmã de Angra do Heroísmo, a comunidade tem-se mantido unida e preservado as tradições e a gastronomia das ilhas, segundo Carmen Pinheiro, presidente da associação das cidades irmãs de Tulare.

"Os emigrantes têm guardado as suas tradições nos Estados Unidos. Às vezes até parece que as festas lá são mais tradicionais do que nos Açores", salientou.

Nascida já nos EUA, mas filha de emigrantes de São Jorge, Carmen visita os Açores, de dois em dois anos, desde criança e herdou do pai o gosto pelas Sanjoaninas, sobretudo pelas touradas.

Hoje, mesmo sem voos diretos, continua a visitar com frequência a terra dos pais, que agora dá a conhecer aos filhos e aos netos.


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