Milhares de relíquias feitas com restos de capas do Santo Cristo

Milhares de relíquias feitas com restos de capas do Santo Cristo

 

Lusa/AO Online   Regional   27 de Abr de 2016, 08:44

Milhares de relíquias feitas com pedaços de capas que já cobriram a imagem do Santo Cristo, nos Açores, são distribuídas anualmente pelos fiéis em troca de donativos, recordações que usam ao peito, mas também nos carros e nos barcos.

 

“A relíquia é uma companhia e uma proteção. Eles sentem aquela força inexplicável usando estas lembranças”, afirmou à Lusa Venilde Sousa, voluntária há 20 anos no Santuário da Esperança, no Campo de São Francisco, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, onde no próximo fim-de-semana decorrem as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

Ao longo do ano, os fiéis adquirem num espaço próprio no santuário várias lembranças, como terços, medalhas, fitas vermelhas com as medidas da imagem do ‘Ecce Homo’, lenços, azulejos, emblemas bordados para as capas de estudantes e postais.

São, contudo, as relíquias confecionadas com pedaços dos mantos oferecidos pelos fiéis, capas que se vão degradando ao longo dos anos, as lembranças mais solicitadas, adiantou Venilde Sousa.

"De ano para ano, vamos introduzindo novas lembranças, como por exemplo, lenços, azulejos, pulseiras com a imagem do Santo Cristo ou ainda fios com a imagem do ‘Ecce Homo’ e da madre Teresa d’Anunciada (que iniciou estes os festejos religiosos)”, contou.

Estas relíquias, de dimensão muito reduzida, são colocadas pelos fiéis no vestuário que utilizam no dia-a-dia, “uma forma de estarem mais perto do Senhor”, segundo a voluntária.

"As pessoas também pedem muito para as colocarem no interior dos seus carros. Recebo também muitos pedidos de pescadores que querem as relíquias para colocarem nos seus barcos", acrescentou, relatando que ainda recentemente recebeu uma carta com um donativo para o Santo Cristo, mas onde eram pedidas relíquias.

A imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres tem cerca de 30 capas e é sempre grande a expectativa, todos os anos, em redor da capa escolhida para cobrir o ‘Ecce Homo’, oferecido às freiras Clarissas pelo papa Paulo III há mais de 400 anos.

“Muitas das capas que o Santo Cristo leva são oferecidas por emigrantes. Mas à medida que vão envelhecendo não podem sair à rua e são reaproveitadas para fazer as relíquias”, explicou à Lusa o reitor do Santuário do Santo Cristo, monsenhor Augusto Cabral.

Nesta semana que antecede o início das celebrações, funcionárias e religiosas trabalham no santuário, onde se intensifica a confeção das pequenas relíquias com restos de capas do Santo Cristo.

Apontando para um saco, monsenhor Augusto Cabral informou que continha mais de 3.000 relíquias”.

“O santuário paga 0,35 cêntimos por cada relíquia. São feitas por religiosas e pessoas que aqui trabalham, uma forma de apoiar também estas pessoas", referiu o reitor, revelando que os pedidos para o envio destas recordações chegam também por via das "milhares de cartas" dos fiéis oriundos de várias partes do mundo, nas quais "manifestam a sua fé e os seus problemas pessoais e familiares".

Monsenhor Augusto Cabral sublinhou o “significado profundo” das festas do Santo Cristo, que decorrem este fim-de-semana, quer para os católicos residentes nas ilhas e emigrantes, como para os turistas.

 


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