Migrantes incendeiam serviços de asilo na ilha grega de Lesbos

Migrantes incendeiam serviços de asilo na ilha grega de Lesbos

 

Lusa/AO online   Internacional   24 de Out de 2016, 18:05

Cerca de 70 migrantes no campo de Moria, ilha de Lesbos, incendiaram contentores onde funcionavam os serviços de asilo que ficaram "quase destruídos" e envolveram-se em confronto com a polícia durante uma ação de protesto, disse fonte policial.

 

Os empregados, na maioria do Gabinete Europeu de Apoio para o Asilo (EASO, em inglês) abandonaram os contentores e não foi registada qualquer vítima, precisou a mesma fonte à agência noticiosa France-Presse (AFP).

José Carreira, diretor do EASO, disse à AFP que “pelo menos quatro contentores onde decorreram as entrevistas foram inteiramente destruídos, e três outros com diversos estragos”.

Os empregados abandonaram o local e o fogo foi rapidamente circunscrito pelos bombeiros”, acrescentou.

Os incidentes, que de prolongaram durante cerca de uma hora no final da manhã, começaram quando “migrantes, na maioria paquistaneses e do Bangladesh, lançaram pedras contra os polícias e incendiaram cobertores, que lançaram sobre os contentores que acolhem os serviços de asilo”, explicou a fonte policial.

A polícia efetuou dez detenções, enquanto José Carreira disse que vão ser necessários vários dias até ao recomeço das entrevistas.

À semelhança dos restantes quatro campos situados nas ilhas gregas do mar Egeu, os movimentos de protesto dos migrantes e refugiados são recorrentes em Moria, onde estão concentrados 5.000 migrantes para 3.500 lugares. Protestam, em simultâneo, contra a sua retenção no local e as escassas condições do campo.

“Já se registaram incidentes do género no passado, mas os de hoje foram os mais graves. Procuramos soluções para que não se repitam”, sublinhou José Carreira, que se encontra em Atenas para conversações com os responsáveis gregos.

Atualmente, mais de 15.000 migrantes para 8.000 lugares estão bloqueados em centros de registo nas ilhas gregas. Muitos poderão ser reenviados para a Turquia no âmbito do acordo União Europeia-Turquia assinado em 18 de março.

No entanto, o ritmo dos reenvios tem sido lento pelo facto de a maioria dos migrantes ter solicitado asilo na Grécia para evitar um regresso não desejado à Turquia, e as autoridades devem proceder a um exame caso por caso.

O acordo UE-Turquia reduziu substancialmente o fluxo migratório proveniente das costas turcas em direção à Grécia. No entanto, o ritmo de chegada de migrantes começou a aumentar nos últimos meses, e os centros estão superlotados.

Segundo números oficiais, cerca de 66.000 refugiados estão atualmente bloqueados na Grécia após o encerramento das fronteiras europeias no início de 2016, em particular na designada “rota dos Balcãs”.


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