Método para definir capacidade de carga dos geossítios dos Açores em estudo

Método para definir capacidade de carga dos geossítios dos Açores em estudo

 

Lusa/AO Online   Regional   6 de Fev de 2017, 08:55

Cerca de uma dezena de investigadores, dos Açores, do continente português e Brasil, vão definir, até 2018, uma metodologia de trabalho para aferir qual a capacidade de carga de vários geossítios com uso turístico no arquipélago, foi hoje anunciado.

 

“[Este projeto visa] definir uma metodologia de trabalho que depois será testada em alguns geossítios, porque temos nos Açores 121 geossítios e apurar a capacidade de carga para todos é uma tarefa titânica que nós não conseguiríamos fazer em três anos”, afirmou hoje à agência Lusa o geólogo João Carlos Nunes, que lidera o grupo de trabalho.

Com um financiamento de 120 mil euros e duração de três anos, o projeto, designado “TURGEO”, é da Universidade dos Açores e conta com a colaboração da Associação Geoparque Açores e do Governo Regional.

Um geossítio é uma área com expressão territorial e limites bem definidos que possui um notável património geológico, associado a uma estratégia de desenvolvimento sustentável refere a página na Internet da Associação Geoparque Açores.

João Carlos Nunes explicou que para definir a metodologia é necessário primeiro recolher trabalhos similares feitos noutros locais do mundo, depois adaptá-los à região, ao nível da geografia e orografia, e perceber se os geossítios escolhidos para trabalhar são muito ou pouco visitados e que património geológico contêm.

Dos geossítios identificados nos Açores, 93 têm uso turístico, como a montanha do Pico, a Caldeira Velha, na ilha de São Miguel, a Furna do Enxofre, na Graciosa, ou o Algar do Carvão, na Terceira.

João Carlos Nunes defendeu que “importa perceber e definir qual a carga humana que estes espaços podem receber sem os colocar em perigo”, numa região em que as experiências turísticas de contacto com a natureza figuram no topo das atrações e a pressão sobre os espaços de visitação tem sido objeto de alertas.

O geólogo disse esperar que o conhecimento resultante deste estudo científico constitua uma ferramenta para “a sustentabilidade e uma boa gestão ambiental e turística dos recursos naturais dos Açores”.

“Mais do que auxílio, esperamos que sirva de suporte à decisão política. O decisor político precisa de um suporte técnico-científico de base”, considerou o responsável.

Nos Açores há já locais em que a capacidade de carga humana está definida, como é o caso do ilhéu de Vila Franca do Campo, junto à ilha de São Miguel, onde só é permitida a presença de 400 pessoas por dia.

Em novembro, a secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo dos Açores, Marta Guerreiro, defendeu a adoção de regulamentos de acesso e o estabelecimento de capacidades de carga para determinadas áreas ambientais.

Ao discursar no debate sobre a proposta do Programa do Governo Regional, na Assembleia Legislativa, Marta Guerreiro referiu que os objetivos de sustentabilidade, “associados ao valor patrimonial e à sensibilidade dos ecossistemas das áreas protegidas, exigem uma monitorização permanente e um controlo efetivo das suas principais ameaças, designadamente a pressão antrópica e a dispersão de espécies invasoras”.

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