Meta de limitar aquecimento global a dois graus Celsius está cada vez mais longe


 

Lusa/AO online   Internacional   21 de Nov de 2012, 14:54

A agência da ONU para o Ambiente alertou esta quarta-feira os governos que os esforços para combater as alterações climáticas estão cada vez mais longe do objetivo de limitar o aquecimento global a dois graus centígrados.

Num relatório, divulgado a poucos dias do início de uma conferência sobre o clima a decorrer no Qatar, o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) avisou que a concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera aumentou 20% desde 2000.

De acordo com os cientistas, estas emissões estão a contribuir para as alterações climáticas e que, se não forem contidas, poderão ter graves consequências, incluindo o aumento do nível do mar, inundação de cidades costeiras, mudanças dramáticas na precipitação, prejudiciais para a agricultura e fontes de água potável, transmissão de doenças e extinção de espécies.

Segundo as mais recentes estimativas, as temperaturas médias globais poderão aumentar três a cinco graus centígrados este século, o que fica muito acima da meta dos dois graus, sublinha o relatório.

Com medidas urgentes e decididas, o mundo poderá voltar a entrar no trilho, mas isso significará uma redução das emissões de fases com efeito de estufa em 14%, para 44 mil milhões de toneladas, até 2020.

Atualmente, estas emissões estão estimadas em 50,1 mil milhões de toneladas por ano e os 55 especialistas que compilaram o relatório, agora apresentado, anteveem que as emissões aumentem para 58 mil milhões em oito anos, se não se tomarem medidas urgentes.

O diretor executivo da UNEP, Achim Steiner, disse acreditar que continua a ser possível alcançar o objetivo e que há muitas "ações inspiradoras" de países em energias renováveis, eficiência energética, proteção das florestas e limites às emissões dos veículos.

"Mas a transição para uma economia de baixo carbono, inclusiva e verde, está a ocorrer muito lentamente e a oportunidade de alcançar a meta dos 44 Gt (gigatoneladas, ou mil milhões de toneladas) está a diminuir todos os anos", avisou.

Os ativistas do clima alertaram para a urgência de avançar com tecnologias limpas, aproveitando a energia do vento e do sol.

"A única forma que temos de alcançar os cortes necessários nas emissões é afastar-nos dos combustíveis fósseis e aproximar-nos de um mundo de energia renovável", disse Kaisa Kosonen, conselheira em política climática na organização ambientalista Greenpeace.

O Protocolo de Quioto, o único acordo internacional para a redução das emissões de gases com efeito de estufa nos países industrializados, expira este ano.

As conversações em Doha deverão focar-se na extensão do acordo, por mais um período, para permitir o avanço das negociações que permitam chegar a um pacto climático mais abrangente que inclua também os países em desenvolvimento, cujas emissões estão também a crescer.


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