Meta de 2 milhões de barris por dia em 2016 em Angola é demasiado otimista

Meta de 2 milhões de barris por dia em 2016 em Angola é demasiado otimista

 

Lusa / AO online   Economia   20 de Set de 2015, 11:52

O gabinete de estudos económicos e financeiros do BPI considera que Angola está a ser demasiado otimista em manter a previsão de produção de 2 milhões de barris de petróleo por dia no próximo ano.

 

"As autoridades continuam otimistas em conseguir aumentar o nível de produção média diária para o objectivo de 2 milhões de barris por dia até 2016, quando se espera que entre em funcionamento a atividade de exploração dos poços de águas profundas mas este cenário poderá revelar-se excessivamente otimista, pois este tipo de exploração poderá não ser competitivo aos actuais preços", lê-se na análise de setembro sobre a economia angolana.

No capítulo destinado ao petróleo, a principal fonte de receitas fiscais de Angola e que é responsável por mais de 95% das exportações do país, os analistas do BPI escrevem que "Angola conseguiu aumentar ligeiramente a média de produção diária, o que deverá ajudar a compensar em parte a queda das receitas", mas notam que os preços vão continuar baixos, o que prejudica as finanças públicas do país.

"A produção petrolífera no primeiro trimestre de 2015 subiu para 1,76 milhões de barris por dia, e no trimestre seguinte para uma média de 1,77", segundo os dados do Ministério do Petróleo citados no relatório, ao passo que "os dados publicados pelo Ministério das

Finanças relativos à exportação petrolífera apresentam uma subida da quantidade exportada para uma média de 1,74 milhões de barris por dia, durante o período de janeiro a julho, o que compara com uma média de 1,63 na totalidade do ano anterior".

Estes dados, diz o BPI, são positivos, tendo em conta que "nos últimos anos, Angola tinha apresentado alguma dificuldade em recuperar os níveis de produção em virtude de problemas de ordem técnica e da desaceleração da produção nos poços mais antigos".

O problema, notam, é que "o excesso de oferta a nível mundial continua a ameaçar as perspetivas de uma recuperação dos preços do petróleo", até porque "as previsões mais recentes são de que o processo de reajustamento entre a procura e a oferta do mercado seja mais lento do que inicialmente esperado, com receios de que o preço se mantenha em níveis mais baixos do que o esperado até ao final do ano".

Para além disso, notam, "as projecções relativamente aos preços do petróleo voltaram a ser revistas em baixa na sua generalidade, e tendo em consideração os fatores fundamentais do mercado as previsões de julho do FMI apontam para uma subida do preço médio (dos preços de referência do Brent, Dubai e WTI) do petróleo para os USD 57, considerando-se um aumento gradual para os 72 dólares até 2020".

Toda esta conjuntura, dizem os analistas do BPI, fazem temer que algumas decisões de investimento possam ser adiadas ou mesmo canceladas, tendo em conta que o valor a invetir na exploração em águas ultra-profundas - onde se calcula haver uma quantidade significativa de reservas na costa angolana - é bastante mais elevado.


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