Mercado da estética passou ao lado da crise e está em expansão


 

Lusa / AO online   Economia   5 de Set de 2010, 13:46

O mercado da estética em Portugal está em expansão, tendo sentido pouco a crise económica dos últimos dois anos e aumentando mesmo o número de clientes e tratamentos, disseram responsáveis de várias clínicas contactadas pela Lusa.

Todas as empresas contactadas avançam ter planos de expansão e apenas uma refere ter faturado menos no principal ano da crise, ou seja, no ano passado.

A maturidade do mercado, a maior quantidade de informação disponibilizada e o aumento do setor privado são as principais razões apontadas para um crescimento generalizado da procura.

"O segmento mais baixo do mercado ressentiu-se [com a crise] e as pessoas com menor poder económico obviamente cortaram naquilo que era supérfluo, portanto nos serviços de estética", admitiu à Lusa o administrador da clínica MyMoment, António Miguel Caetano.

No entanto, sublinha, a classe média-alta continua a procurar serviços estéticos e, como é "mais atenta à credibilidade da clínica e sobretudo dos médicos", "as empresas que têm melhores referências acabam por beneficiar" dessa concentração do mercado.

"É uma espécie de seleção natural: os mais fracos fecham e os que ficam beneficiam desses clientes", resume António Miguel Caetano.

Em Portugal, esse aumento da procura "também teve muito a ver com o facto de o setor privado ter crescido muito nos últimos 5 ou 6 anos, [tendo passado a haver] muitas alternativas e muita informação", adianta.

Mas o crescimento do mercado da estética em Portugal não está, para o administrador da My Moment, nem perto do seu potencial.

"Estamos ainda longe dos níveis de procura que existem nos Estados Unidos, no Brasil ou mesmo no Irão", sublinha, lembrando que, em todo o mundo, se sentiu um 'boom' na procura de melhor imagem e bem-estar.

Com 5 anos de existência em Portugal, a rede Body Concept tem crescido todos os anos, contando com cerca de 40 mil clientes por ano nas suas clínicas.

Apesar de ter notado "uma pequena descida no número de clientes de procura espontânea e pela primeira vez" devido à crise, o grupo apresentou um crescimento de 24 por cento em 2009, afirmou à Lusa.

"Uma forte aposta na qualidade de atendimento e da prestação dos serviços e no marketing" resolveu a questão e "permitiu que o valor médio de vendas tenha subido e, consequentemente, a faturação acumulada", refere.

Portugal é um "país apetecível" para este mercado, considera ainda a administração da Body Concept, acrescentando que "a tendência é para um progressivo crescimento do mercado da estética em Portugal".

Criada em 2008, a Clínica do Tempo tem "consolidado a sua posição", afirmou o criador desta empresa, Humberto Barbosa, assegurando que apesar das variações sazonais, "não há quedas abruptas".

Das empresas contactadas, apenas a rede Personna admitiu que a sua faturação se ressentiu com a crise, tendo registado uma quebra de 5 por cento nos últimos dois anos.

Ainda assim a descida não foi suficiente para travar a expansão da rede. Só em agosto passado, a Personna abriu mais seis clínicas e o número "irá aumentar no próximo ano", segundo avança o administrador Ricardo Monteiro.


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