Menina espanhola com doença degenerativa incurável não vai ser mantida viva


 

Lusa/AO online   Internacional   6 de Out de 2015, 18:27

Uma menina espanhola de 12 anos vítima de uma doença degenerativa incurável não vai ser mantida viva, com recurso a suporte artificial, após o combate por uma "morte digna" levado a cabo pelos pais.

 

De acordo com o advogado do casal, após ter recusado a hipótese durante algum tempo, segunda-feira a equipa de médicos que acompanha a menina consentiu em interromper a sua alimentação artificial.

“Os médicos vão administrar um sedativo poderoso para que ela não sinta dor e garantir que estará minimamente hidratada para que a sedação faça efeito”, acrescentou o advogado, segundo o qual a partida da jovem "será doce e um pouco mais fácil do que a sua vida tem sido até agora".

A menina, de seu nome Andrea, enfrenta uma doença degenerativa irreversível desde os oito meses, e os pais apelaram para que a justiça espanhola se pronunciasse sobre a sua vontade de pôr fim à manutenção da vida em regime artificial, uma vez que o seu sofrimento estaria a ser inutilmente prolongado.

Em reação, em setembro, um comité de ética do Hospital Universitário de Santiago de Compostela recomendou a retirada da alimentação artificial, que fosse ministrada sedação paliativa e um tratamento com vista a diminuir o grau de consciência da doente, para amenizar as dores.

Todavia, a equipa pediátrica do hospital recusou-se a aplicar a sugestão, levando os pais de Andrea a mediatizar o caso.

"Durante 12 anos, a minha filha lutou como uma campeã, mas o seu corpo não aguenta continuar", implorou a mãe, Estela Ordonez, à estação de rádio privada Cadena Ser.

As declarações tiveram lugar após uma entrevista ao canal de televisão privado La Sexta, em que Estela Ordonez sustentou: "Isto não é eutanásia. Mas a minha filha chegou ao fim e não estão a deixá-la partir".

Em Espanha, o Código Penal proíbe a eutanásia ativa e o suicídio assistido, mas a lei sobre a autonomia do paciente (datada de 2002) permite que este decida livremente se aceita ou não o tratamento.

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