Medidas contra imigração podem afetar imigrantes portugueses no Reino Unido


 

Lusa/AO Online   Nacional   28 de Nov de 2014, 18:48

Os imigrantes portugueses poderão enfrentar mais pobreza e um maior dilema em permanecer a viver no Reino Unido se for aplicado o plano que o primeiro-ministro britânico apresentou hoje para controlar a imigração europeia.

"Vai ter um impacto maior para aqueles que têm empregos precários e pode aumentar a pobreza em grande escala na comunidade portuguesa e outras imigrantes", acredita a diretora do Centro comunitário de Apoio à Comunidade Lusófona em Londres.

Entre as medidas apresentadas por David Cameron consta a imposição de um prazo de seis meses para que os imigrantes encontrem trabalho e de quatro anos de residência até poderem beneficiar dos subsídios estatais de subsistência e de habitação.

Fernanda Correia disse à agência Lusa que estas alterações podem afetar os imigrantes que chegam sem ideia do elevado custo de vida e da dificuldade em encontrar alojamento e emprego.

Sem apoios sociais, "muitas famílias têm de pedir ajuda a amigos ou ficam sem abrigo, ou têm de voltar para Portugal".

Também Susana Forte Vaz, responsável pelo centro comunitário European Challenge, em Thetford, no leste de Inglaterra, adverte para o impacto destas medidas na comunidade portuguesa.

"Quando chegam, não vêm pelos subsídios, vêm trabalhar. Mas se ficarem sem emprego alguns meses, vamos ver se ficam", disse à Lusa.

Na região de Norfolk, continuam a chegar muitos portugueses para a indústria da agricultura ou de processamento alimentar.

"Os subsídios são importantes para os primeiros anos, porque começam por trabalhos temporários e precisam de tempo até conseguirem um contrato", explica.

Ainda assim, acredita que o fluxo de imigrantes portugueses vai continuar elevado devido ao desemprego em Portugal.

Outro risco, admitiu, é o de alguns portugueses caírem em situações de pobreza ou mendigagem.

"O impacto [das medidas] será após a chegada e veremos quem vai aguentar e quem vai embora", afirmou Susana Vaz.

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