Médico faz greve de fome contra empresa acusada de dever a clínicos


 

Lusa/AO online   Nacional   28 de Mar de 2016, 15:38

Um médico que presta serviço nas Urgências do Hospital de Santarém está há uma semana em greve de fome, em protesto contra a "impunidade" de uma empresa que terá ficado a dever milhares de euros a clínicos em 2014.

 

Rui Teixeira, atualmente no quadro do Hospital de Abrantes, pertencente ao Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), mas ainda a prestar serviço como tarefeiro na Urgência do Hospital de Santarém, disse à Lusa que o recurso à greve de fome, iniciada às 00:00 do passado dia 21, quando iniciou um curto período de férias na primeira unidade, é o último de uma batalha iniciada em 2014 e que já passou pelos tribunais.

O médico disse à Lusa que a empresa prestadora de serviços, a RPSM, com sede no Montijo, foi, no processo que lhe moveu junto do Tribunal do Barreiro, considerada insolvente e condenada, em abril de 2015, a pagar-lhe os montantes em dívida (relativos ao período de junho a setembro de 2014), mais juros.

Contudo, em dezembro de 2015, Rui Teixeira foi informado pelo seu advogado de que o administrador de insolvência comunicou a necessidade de depósito de uma caução no montante da dívida apurada (150.000 euros) se quisesse continuar com o processo, já que a gestora da RPSM não possui bens em seu nome.

Luís Filipe Pereira, administrador de insolvência da RPSM, contactado pela Lusa, recusou falar sobre o processo, declarando não ter "nada a dizer" sobre o assunto.

Sentindo-se impotente, o médico decidiu avançar para uma medida “drástica”, uma greve de fome, que está determinado a continuar, mesmo depois de, no fim de semana, quando se encontrava em serviço no Hospital de Santarém, ter sido colocado a soro por colegas, perante os resultados “com algum grau de gravidade” das análises que lhe realizaram, disse.

Para pôr termo a este protesto, o médico coloca quatro condições, que vão do pagamento do montante que lhe é devido (e que andará próximo dos 11.000 euros) à realização de um acordo “suportado pelas entidades responsáveis” para pagamento, no prazo máximo de 30 dias, das verbas em dívida a outros seis médicos.

Esse acordo deverá, também, incluir o pagamento devido aos restantes colegas (cerca de duas dezenas) “pelo serviço prestado nas Urgências do Hospital de Santarém e do Hospital de Portalegre, no prazo máximo de 60 dias”, pedindo o médico ainda a realização de uma investigação que permita “encontrar e punir os principais culpados nesta burla que ultrapassou mais de 150 mil euros de honorários”.

O presidente do conselho de administração do Hospital de Santarém, José Josué, disse à Lusa lamentar uma situação que envolve um clínico pelo qual tem “muita consideração e respeito” e que acaba por envolver a instituição, quando esta sempre cumpriu atempadamente com os pagamentos.

José Josué afirmou que o hospital “tudo fez até ao limite” para tentar resolver o pagamento dos honorários aos médicos (incluindo a promoção de uma reunião entre as partes), tendo acabado por rescindir com a empresa.

Rui Teixeira assegurou à Lusa que, depois dos primeiros três dias muito difíceis, não vai parar a greve de fome (mantém apenas a ingestão de água), assegurando aos responsáveis dos serviços onde trabalha e aos utentes que trabalhará apenas enquanto se sentir capaz.

No caso do Hospital de Santarém, José Josué disse à Lusa que, atualmente, o médico presta serviço pontual nesta unidade, sobretudo ao fim de semana, declarando-se convicto de que, pelo que conhece do profissional, este só trabalhará se se "sentir em condições", estando a situação a ser diretamente acompanhada pelo responsável das Urgências.

Rui Teixeira disse à Lusa que aguarda o resultado do compromisso assumido pela presidência da Assembleia da República, numa resposta a uma missiva sua, de levar o assunto à Comissão de Saúde do parlamento.


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