Marcelo sem dúvidas sobre a solidariedade norte-americana como sucedeu há 60 anos

Marcelo sem dúvidas sobre a solidariedade norte-americana como sucedeu há 60 anos

 

Lusa/AO Online   Regional   6 de Jun de 2017, 13:29

O Presidente da República disse não ter "a mínima das dúvidas" da solidariedade norte-americana hoje, como sucedeu há 60 anos, quando os Estados Unidos autorizaram a entrada de milhares de açorianos após a erupção do vulcão dos Capelinhos.

 "Não tenho a mínima das dúvidas, o peso da comunidade luso-americana é um peso que existe e que tem aumentado no tempo. E as relações são relações que, obviamente, explicariam uma solidariedade idêntica ou maior, mas não vamos esperar que aconteça nada de parecido”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado respondia aos jornalistas, após visitar o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, na Horta, ilha do Faial, quando questionado se a solidariedade norte-americana de há 60 anos, após a erupção, era possível hoje.

Na sequência da erupção, em 1957, o Congresso dos Estados Unidos aprovou o “Azorean Refugee Act”, permitindo a milhares de açorianos emigrarem para aquele país, incluindo cerca de metade da população do Faial.

A este propósito explicou que esta iniciativa resultou de uma proposta, entre outros, do senador John F. Kennedy, que viria a ser eleito presidente dos Estados Unidos da América.

Marcelo Rebelo de Sousa apontou outra curiosidade: “A votação está subscrita pelo então vice-presidente Richard Nixon”, para acrescentar “veja bem as voltas que o mundo dá”.

O chefe de Estado admitiu que “seria a coisa mais absurda do mundo” estar no Faial e não ir “a um ponto que foi crucial na vida da ilha, da futura região autónoma – que não existia ainda – e foi um marco na vida do país”.

“Mais, um marco em termos internacionais, porque se tratou de um tipo vulcão diferente que a comunidade científica conheceu e conheceu pela primeira vez”, adiantou.

À pergunta se trazia o Governo e a oposição para conversarem e encontrarem consensos neste local, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que “eles encontram consensos sem necessidade de qualquer tipo de manifestação vulcânica”.

Antes, o Presidente da República confessou ter memórias da erupção, tinha então nove anos e o pai estava no Governo.

“Naquela altura foi uma emoção, note-se que, por um lado, os jornais cobriram muito e, por outro lado, a televisão estava a arrancar e eu tenho a noção, embora vaga, de que a RTP, que estava em período experimental, deu alguma cobertura do que se estava a passar”, declarou.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu que “foi muito impressionante, uma realidade completamente nova”, para acrescentar: “miúdos como nós éramos isso ficou retido, foi, assim, emblemático”.

A erupção do vulcão dos Capelinhos começou em 27 de setembro de 1957 e terminou em 24 de outubro do ano seguinte.

O Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, inaugurado em agosto de 2008, é o mais visitado dos Açores, tendo recebido em 2016 cerca de 35.500 turistas e em nove anos mais de 200 mil visitantes.

O edifício, da autoria do arquiteto Nuno Lopes, atual diretor Regional da Cultura, foi construído em betão armado, junto às ruínas do farol dos Capelinhos e está parcialmente submerso pelas cinzas do vulcão, que entrou em erupção no mar, a pouco mais de um quilómetro da costa, na freguesia do Capelo.

A estrutura foi considerada, em 2010, como um dos melhores projetos cofinanciados pela União Europeia e nomeado, em 2012, para melhor museu da Europa.

 

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