Marcelo pede mais iniciativa social aos portugueses, mas ressalva que não é "ultraneoliberal"

Marcelo pede mais iniciativa social aos portugueses, mas ressalva que não é "ultraneoliberal"

 

Lusa/AO online   Nacional   10 de Out de 2017, 18:14

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pediu mais iniciativa social aos portugueses, defendendo que "não se precisar do Estado" é um sinal de desenvolvimento, mas ressalvou que está longe de ser um "ultraneoliberal".


O chefe de Estado falava na inauguração de uma exposição no Museu da Eletricidade, em Lisboa, em que estavam expostos candeeiros com intervenções de 30 artistas portugueses, a leiloar a favor da Capiti - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Infantil, no Dia Mundial da Saúde Mental.

Numa curta intervenção, o Presidente da República elogiou a EDP por se associar a esta iniciativa e considerou que, "quando se trata de iniciativas que são simultaneamente comunitárias, de serviço dos outros, com disponibilidade para enfrentar problemas sociais dos mais graves, está sempre presente".

Depois, referiu-se à saúde mental como "um domínio um pouco esquecido dentro da saúde", que ainda hoje "não é uma prioridade à altura das necessidades da sociedade portuguesa", e em que persistem "desigualdades clamorosas" que é preciso ultrapassar.

"E nós sabemos que o Estado, infelizmente, não tem capacidade para, sozinho, as poder ultrapassar - infelizmente, ou felizmente, porque é bom que haja a iniciativa social e a iniciativa dos privados", acrescentou.

Neste contexto, Marcelo Rebelo de Sousa fez "um apelo geral aos portugueses" para que se empenhem socialmente.

"Um dos sinais de desenvolvimento do país é multiplicação de iniciativas como esta, é não se precisar do Estado", defendeu, ressalvando: "Não quer dizer que o Estado não tenha obrigações sociais. Que isto não seja entendido como uma forma ultraneoliberal que está longe da minha maneira de ser".

"Mas as sociedades mais evoluídas são aquelas que têm uma força comunitária de iniciativas sociais, associativas, fundacionais, como esta, que depois puxam pelas outras e se completam, e entram em parcerias, e desafiam o Estado, e têm o apoio de grandes grupos empresariais", sustentou.

Segundo o Presidente da República, "essa é a viragem que está a dar-se em Portugal - este é um exemplo -, mas tem de ser muito mais profunda".

O chefe de Estado pediu, por isso, aos portugueses que se organizem e mobilizem em associações como a Capiti e façam parcerias com outras associações e empresas, para ajudar "aqueles que, numa sociedade que ainda é muito desigual, sofrem mais com a desigualdade".



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