Marcelo lembra "lutador pela liberdade e pela democracia" e "criador do SNS"

Marcelo lembra "lutador pela liberdade e pela democracia" e "criador do SNS"

 

Lusa/AO online   Nacional   21 de Mai de 2018, 17:23

O Presidente da República lamentou a morte do antigo ministro António Arnaut lembrando-o como um "cidadão impoluto" que foi um "lutador pela liberdade e pela democracia" e "criador do Serviço Nacional de Saúde (SNS)".


Em declarações aos jornalistas, à saída do quartel dos bombeiros de Vila Nova de Tazem, no concelho de Gouveia, distrito da Guarda, Marcelo Rebelo de Sousa salientou que António Arnaut foi "proponente de uma reforma do SNS há muito pouco tempo".

O chefe de Estado expressou "um grande desgosto pessoal e também um grande desgosto enquanto cidadão e Presidente da República" com a notícia da sua morte.

"Eu tive a honra de o condecorar com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e queria, como amigo, recordar com saudade a pessoa – com quem estive, aliás, nos últimos meses, várias vezes – e, como Presidente da República, agradecer-lhe tudo o que fez por Portugal", afirmou.

O antigo ministro dos Assuntos Sociais António Arnaut, considerado o "pai" do SNS, fundador do PS, do qual era presidente honorário, morreu hoje, em Coimbra, aos 82 anos.

Durante uma visita a vários pontos do concelho de Gouveia, para se inteirar da situação no terreno na sequência dos incêndios de 2017, Marcelo Rebelo de Sousa descreveu António Arnaut como um "cidadão impoluto, corajoso, destemido", que "foi e é um exemplo de democrata, de lutador pela liberdade, de socialista empenhado na solidariedade social".

O Presidente da República destacou a forma como o socialista era "sensível à justiça e à solidariedade", acrescentando: "Daí ser o criador do SNS que é, porventura, uma das expressões máximas da solidariedade social acolhida na nossa Constituição".

Marcelo Rebelo de Sousa recordou os tempos que viveram "em conjunto durante a revolução, colegas na [Assembleia] Constituinte" e os momentos que partilhou com Arnaut "quer no direito, quer fora do direito, até na literatura, acompanhando a sua obra".

"Era de uma fidelidade, de uma lealdade, de uma persistência em relação aos amigos notável", elogiou.

Numa nota entretanto divulgada no portal da Presidência da República, o chefe de Estado escreveu que "o nome de António Arnaut ficará para sempre inscrito na memória da democracia portuguesa como combatente pela liberdade, fundador e presidente do Partido Socialista e 'pai do SNS'".

O Presidente da República disse terem sido essas as razões pelas quais lhe atribuiu em 25 de abril de 2016 a grã-cruz da Ordem da Liberdade.

"O SNS muito deve, na sua génese e no seu desenvolvimento, ao humanismo de António Arnaut, ao seu espírito de serviço à causa pública e à sua empenha atenção aos outros e à comunidade", considerou.

Nesta mensagem, António Arnaut é recordado como "jurista prestigiado, homem de leis e de letras, cidadão de Coimbra e do mundo".

Apresentando "sentidas condolências" à sua família, Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou: "Deixa-nos um exemplo ímpar de republicanismo cívico e de patriotismo humanista, que os milhões de utentes do SNS – e, no fundo, todos os portugueses – jamais esquecerão".

António Arnaut, advogado, nasceu na Cumeeira, Penela, no distrito de Coimbra, em 28 de janeiro de 1936, e estava internado nos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Presidente honorário do PS desde 2016, António Arnaut foi ministro dos Assuntos Sociais no II Governo Constitucional, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano e foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade e com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

Poeta e escritor, António Arnaut envolveu-se desde jovem na oposição ao Estado Novo e participou na comissão distrital de Coimbra da candidatura presidencial de Humberto Delgado.



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