Marcelo em 100 dias inovou no estilo, desdramatizou a política mas deixou avisos

Marcelo em 100 dias inovou no estilo, desdramatizou a política mas deixou avisos

 

Lusa/AO Online   Nacional   13 de Jun de 2016, 08:13

Marcelo Rebelo de Sousa, que completa na quinta-feira 100 dias como Presidente da República, inovou no estilo e desdramatizou o clima político, mas deixou advertências sobre a evolução económica e até sobre possíveis efeitos das eleições autárquicas.

Desde as cerimónias de posse, a 09 de março, às comemorações do 10 de Junho, em Paris, o novo Presidente distinguiu-se nos programas e no registo ativo e de proximidade com os cidadãos, com comentário constante dos mais variados temas da atualidade, em tom pedagógico e de distensão, nos mais variados horários e circunstâncias.

Falou a meio da tarde ao país para explicar a promulgação do Orçamento do Estado para 2016, esteve com as reclusas da prisão de Tires no período da Páscoa, apareceu de madrugada na televisão a visitar o Museu da Vista Alegre e foi à meia-noite que divulgou o seu primeiro veto, ao fim de três meses em funções, a um diploma do parlamento sobre gestação de substituição.

Descentralizou as reuniões com o primeiro-ministro, António Costa, convidou o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, para a primeira reunião do Conselho de Estado e ouviu os partidos sobre o Programa Nacional de Reformas e o Programa de Estabilidade do Governo, com um intervalo para assistir à estreia do tenista português João Sousa no Estoril Open.

Foi a Berlim sensibilizar Angela Merkel para a "injustiça" de sanções por défice excessivo e escolheu Moçambique para a sua primeira visita de Estado, em tempo de crise político-militar e financeira, onde protagonizou imagens de convívio com o povo e aproveitou para responder ao Bloco de Esquerda negando "tentações presidencialistas".

Eleito com 52% dos votos a 24 de janeiro, o antigo presidente do PSD assumiu a chefia do Estado como um moderado e um defensor da estabilidade do atual Governo do PS chefiado por António Costa, suportado por acordos à esquerda, e tem afastado preocupações sobre os dados da execução orçamental.

"Estou aqui para pacificar e desdramatizar a sociedade portuguesa, para uni-la", afirmou, no início do mandato.

Contudo, também preveniu desde logo que não passava "cheques em branco" e foi deixando repetidos alertas e dúvidas, numa primeira fase de forma mais subtil, sobre o cenário macroeconómico do executivo, questionando se, "mesmo revistas, as previsões contidas no orçamento para a evolução da economia portuguesa não serão ainda demasiado otimistas".

"Há tantas incertezas que essa garantia não pode ser dada", considerou Marcelo Rebelo de Sousa, na comunicação ao país sobre o Orçamento do Estado para 2016, a 28 de março.

No seu discurso do 25 de Abril, o Presidente da República recomendou que uma eventual "retificação de perspetivas" seja feita "sem drama" e pediu "permanente atenção" a esta matéria.

Entretanto, reforçou esta mensagem, avisando que o impacto da atual conjuntura externa nas exportações pode afetar o crescimento "obrigando a revisões de previsões", e dizendo que se for preciso um orçamento retificativo "não há drama".

A 20 de maio, Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu, a rir, um recado público ao primeiro-ministro, António Costa, atribuindo-lhe um "otimismo crónico e às vezes ligeiramente irritante".

Outro marco dos seus primeiros 100 dias como Presidente da República foi um aviso feito durante uma visita ao Exército, a 24 de maio, sobre a possibilidade de haver instabilidade política após as eleições autárquicas do outono de 2017, que provocou surpresa e polémica.

"Desiludam-se aqueles que pensam que o Presidente da República vai dar um passo sequer para provocar instabilidade neste ciclo que vai até às autárquicas. Depois das autárquicas, veremos o que é que se passa. Mas o ideal para Portugal, neste momento, é que o governo dure e tenha sucesso", declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

O próprio Presidente se apressou a justificar as suas palavras, na manhã seguinte, enquadrando-as como uma referência à "tradição de as autárquicas terem uma leitura nacional" com consequências nas lideranças partidárias.

Porém, reafirmou que "há claramente um ciclo político marcado pelas autárquicas".

"Veremos aquando das eleições autárquicas o que se passa ou não. O meu desejo é que as autárquicas não venham interromper a governação, mas vamos esperar", acrescentou, mais tarde.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.