Marcelo alerta contra tentações eleitorais e pede mudanças nos poderes públicos

Marcelo alerta contra tentações eleitorais e pede mudanças nos poderes públicos

 

Lusa/AO Online   Nacional   29 de Set de 2017, 07:18

O Presidente da República alertou contra "as tentações dos cada vez mais curtos ciclos eleitorais" e pediu prioridade ao crescimento e à redução da dívida e também "mudanças claras na organização e postura dos poderes públicos".


"Eis um tema a que regressarei passado este tempo eleitoral e ouvidos os partidos e parceiros económicos sociais. Importa ver longe e com sentido do essencial", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado falava na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, durante uma homenagem ao antigo ministro das Finanças Henrique Medina Carreira, que morreu em 03 de julho, aos 86 anos, promovida pela associação Fórum para a Competitividade.

Perante o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e a presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso, o Presidente da República considerou que o melhor modo de testemunhar o reconhecimento de Portugal a Medina Carreira é lembrar o desafio de "crescer mais e sustentadamente".

"E, com esse crescimento, com o controlo atento e sistemático das finanças públicas, com a criteriosa gestão dos custos da dívida e a abertura a novos compradores, facilitada pela recente perceção dos mercados financeiros, reduzir de forma consistente os encargos de uma tão pesada dívida como é a dívida pública portuguesa", prosseguiu.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que "o crescimento supõe aposta no investimento e nas exportações, bem como mudanças claras na organização e postura dos poderes públicos" - que não especificou - "e, claro, atenção à coesão social".

"O desafio é mais do que financista, é mais do economista, é mais do que sociologista: é político e é global", considerou, acrescentando que implica "otimismo realista" e exige "convergências, superando as tentações dos cada vez mais curtos ciclos eleitorais, em que mal se sai de uma eleição logo se chega nas seguintes".

O chefe de Estado prometeu regressar a este assunto na sequência das autárquicas de domingo, após ouvir os partidos com assento parlamentar - que foram convocados para reuniões no Palácio de Belém na segunda e na terça-feira - e os parceiros económicos e sociais.

À saída, questionado pelos jornalistas sobre quais as mudanças nos poderes públicos a que se estava a referir, respondeu que falava "de reformas na organização política e administrativa que terão de ser considerados no futuro: no Estado, na Administração Local, na forma como o poder político é exercido".

Marcelo Rebelo de Sousa reiterou que espera "que não se entre logo a seguir noutro período eleitoral" após as autárquicas: "Era bom que houvesse um compasso de espera para que os partidos e os parceiros económicos e sociais pensassem a longo prazo. É a minha velha ideia e o meu permanente apelo a convergências para além das divergências eleitorais. O que eu quero evitar é que depois do dia 01 de outubro se comece logo a pensar nas eleições europeias e nas eleições legislativas de 2019".

O Presidente da República voltou a pedir entendimentos "no domínio social, da saúde, como da segurança social", e insistiu que a redução da dívida pública tem de se tornar um objetivo consensual.

"Demorou muito tempo em Portugal a chegar-se à conclusão de que controlar o défice era bom - achava-se que era uma ideia de outros países", referiu, para completar: "Ganha essa batalha, agora temos outra batalha, que é a batalha do crescimento e do controlo da dívida pública, que é fundamental".

"Sem esse controlo e sem o controlo do défice, e sem mais investimento e sem mais exportações não crescemos. E sem crescimento não controlamos o défice e não fazemos descer a dívida pública. Portanto, que isto tudo entre no que é um consenso, isto é, uma ideia interiorizada pelos portugueses é a próxima batalha. Que é uma batalha para muitos anos", reforçou.

Nesta homenagem a Medina Carreira, Marcelo Rebelo de Sousa elogiou-o pela "coragem" e "desassombro" e disse que só não lhe atribuía nesta ocasião uma "justíssima condecoração" a título póstumo porque o antigo ministro das Finanças "sempre fugiu a honrarias".



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