Manifesto pede suspensão do processo de construção incineradora em São Miguel


 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   19 de Jan de 2017, 14:22

Um manifesto assinado por uma centena de cidadãos nos Açores defende "a suspensão imediata" do processo de construção de uma incineradora na ilha de São Miguel, admitindo avançar com uma providência cautelar.

 

"Um empreendimento desta dimensão compromete o futuro. E não é uma decisão que possa ser tomada nos gabinetes da Associação de Municípios, tem que ser participada pelos cidadãos", afirmou, em declarações à agência Lusa, José Azevedo, um dos subscritores do manifesto, e biólogo.

O manifesto, que reúne assinaturas de personalidades de vários quadrantes, entre eles médicos, professores, docentes universitários, biólogos, ambientalistas e os dois deputados do BE/Açores, "exige a suspensão imediata do processo de construção da incineradora", na maior ilha dos Açores, protestando contra "a falta de transparência e de envolvimento dos cidadãos" e "o fato de nunca se terem estudado de forma séria alternativas à incineração".

"Nós achamos que a incineração é a pior forma de valorizar os resíduos sólidos urbanos. Se a ideia é extrair valor dos resíduos, podemos fazê-lo de muitas formas, muito mais eficazes e que não comprometem sobretudo o futuro", sustentou José Azevedo, que foi cabeça de lista por São Miguel pelo Livre nas últimas eleições regionais, em outubro de 2016.

Em alternativa à incineradora, os subscritores do manifesto propõem "a adoção de tarifas e sistemas de gestão de resíduos domésticos que incentivem a separação, incluindo dos resíduos orgânicos, e sejam acompanhadas por sistemas eficazes de recolha seletiva".

A construção de "um sistema de tratamento mecânico e biológico moderno, eficaz na separação dos resíduos e apoios a indústrias de reciclagem locais, que acrescentem valor e o retenham na região" são outras das medidas preconizadas.

Os subscritores do documento, que vai ser enviado ao Governo Regional, à Assembleia Legislativa Regional, a todas as câmaras municipais da ilha, à Associação de Municípios da Ilha de São Miguel (AMISM) e à empresa MUSAMI- Operações Municipais do Ambiente, que detém o ecoparque da ilha de São Miguel, defendem ainda "legislação que restrinja severamente as embalagens descartáveis, de forma a favorecer a produção local de artigos de consumo e das respetivas embalagens".

"Exigimos que, no prazo máximo de um ano, seja realizado uma análise de custo-benefício que investigue o problema dos resíduos de forma integrada, procurando formas de reduzir a utilização de recursos naturais, de reutilizar os que têm que ser usados e de maximizar a reciclagem dos que não podem ser reutilizados (...)", pode ler-se ainda no manifesto, enviado à Lusa.

Em dezembro de 2016, a Assembleia Intermunicipal da Associação de Municípios da Ilha de São Miguel (AMISM) aprovou, por unanimidade, avançar com a construção de uma incineradora de resíduos, orçada em mais de 60 milhões de euros.

Nos Açores já existe uma incineradora em funcionamento, na ilha Terceira.


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