Manifestantes saem à rua em defesa de criança


 

Lusa   Nacional   10 de Dez de 2007, 14:11

Cerca de uma centena de pessoas concentraram-se hoje, em Vila Real, em defesa da permanência da menina de seis anos com a família afectiva com quem sempre viveu e que o tribunal decidiu entregar à mãe biológica
A convocatória para a manifestação silenciosa, na Avenida Carvalho Araújo, foi feita através de mensagem de telemóvel e o grande objectivo é tentar revogar a decisão do tribunal judicial de Vila Real.
O tribunal decidiu retirar a menina de seis anos à família afectiva (Américo e Graça Carquejo), com quem vive praticamente desde os 25 dias de vida, para a entregar à mãe biológica, tendo primeiro que passar 30 dias numa instituição que deverá efectuar a reaproximação entre filha e progenitora.
"Oiçam as crianças. A Iara tem voz. Não a Castiguem", "Mãe é quem dá amor, carinho e protecção", "Deixem a Iara continuar a ser feliz" ou "Sou pequenina mas já sei falar. Quero os meus pais", eram as frases que se podiam ler nos cartazes que algumas crianças seguravam durante o protesto.
Foram também distribuídos autocolantes onde se podia ler "Iara - Todos por mim".
Esta foi também mais uma iniciativa a juntar às já promovidas pelo o movimento "Juntos pela Iara - As Crianças têm Voz", criado em Vila Real, e que está a promover uma recolha de assinaturas por todo o país para que as crianças tenham o direito de ser ouvidas em casos judiciais para atribuição do poder paternal.
António Carquejo é um dos tios afectivos da criança que, segundo diz, "está a sofrer muito".
"A todo o momento estamos à espera que a Segurança Social a leve para uma instituição. Por isso, gostávamos que toda esta movimentação da sociedade se resolvesse a favor da menina, ou seja, de um recuo por parte das instâncias responsáveis", afirmou o familiar.
António Carquejo considera que a menina de seis anos já "sabe bem aquilo que quer". 
"Ela tem uma família completa, pais, irmãos, tios e primos e agora como vão conseguir fazer com que ela vá passar a gostar de uma mãe com a qual quase não teve convivência e que a abandonou", acrescentou.
Filomena Choupina também fez questão de se juntar à manifestação de hoje porque considera que é preciso chamar a atenção da sociedade para estes casos que afectam crianças um pouco por todo o país.
"Estou aqui pela Iara. A Graça é a única mãe que ela conhece por isso é com ela que a menina deve ficar", afirmou.
Também a pequena Mafalda, de 11 anos, quis apoiar a amiga que diz andar "muito triste".
"A mãe abandonou-a por isso perdeu o direito de a ver", disse. 
O movimento "Juntos pela Iara - As Crianças têm Voz" já recolheu mais de 7.000 assinaturas que, no princípio da próxima semana, vão ser remetidas para a Assembleia da República e Presidente da República.
O objectivo é, segundo o porta-voz e também tio da menina, Délio Carquejo, que o parlamento debata o direito das crianças serem ouvidas nos processos de regulação do poder paternal e o que significa exactamente o superior interesse da criança.
Também hoje, em Vila Real, uma discoteca promove uma festa em defesa da menina.

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