Manifestação em Ponta Delgada pede intervenção do Governo dos Açores

Manifestação em Ponta Delgada pede intervenção do Governo dos Açores

 

Lusa/AO online   Regional   15 de Set de 2017, 18:47

Duas centenas de enfermeiros manifestaram-se esta sexta-feira junto à presidência do Governo dos Açores, em Ponta Delgada, onde pediram para que o chefe do executivo regional interceda junto do Governo central para a resolução dos problemas que afetam a classe.


"O que peço é que o presidente do Governo Regional interceda junto do Governo central para que nos respeitem", disse à agência Lusa Nádea Amaral, de 40 anos e enfermeira há 17.

Os enfermeiros, trajando 't-shirt' preta e alguns com cravo na mão, empunhavam cartazes com inscrições "respeito", "basta" e "justiça", que replicavam em palavras de ordem que entoavam, ouvindo-se também "ministro para a rua, a luta continua".

Simbolicamente, alguns dos manifestantes acorrentaram-se e outros apresentavam-se de fita-cola preta na boca.

"Querem calar-nos, mas não vão conseguir", justificou uma enfermeira.

Com licenciatura e mestrado e agora a tirar uma especialidade, Nádea Amaral adiantou que "há meses em que leva menos de 1.10 euros de salário", assinalando que "as exigências e os objetivos são cada vez maiores em termos de saúde".

"Sinto-me insultada pelas palavras do senhor ministro da Saúde", salientou, referindo que "se não está mais gente nas manifestações é porque está a assegurar os serviços mínimos".

Nádea Amaral salientou que a greve de cinco dias, que hoje termina e à qual aderiu "tem um custo substancial", notando que é-lhe retirado um quarto do ordenado.

Já Sara Amaral, de 39 anos e enfermeira há 16, disse que a luta "é pelo reconhecimento, respeito e remuneração justa".

A enfermeira do hospital de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, que pediu a suspensão do título de enfermeira obstetra, declarou que esse dia "foi muito triste".

"Custou-me muito. Fiz a especialização e não foi só o custo financeiro, mas também o familiar", referiu, apelando para que o presidente do executivo açoriano, Vasco Cordeiro, "faça pressão junto do Governo Central para a resolução" da situação.

O protesto, que começou pelas 16:30 locais (mais uma hora em Lisboa), culminou com a entrega de uma missiva a Luísa Schanderl, chefe de gabinete do presidente do executivo regional que está ausente da ilha de São Miguel.

No documento, subscrito pelos enfermeiros presentes, estes explicam que a pretensão da classe "é a negociação de uma carreira para todos" assente em princípios como a uniformização de horários de trabalho para as 35 horas semanais ou a introdução da categoria de enfermeiro especialista, mas também a "revisão das tabelas remuneratórias".

"Consideramos as nossas propostas justas para a nossa classe e adequadas ao contexto político-financeiro nacional em que nos encontramos", refere a missiva, que pede ao presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, intervenção junto do primeiro-ministro e do ministro da Saúde "na defesa e valorização da classe de enfermagem nacional e dos enfermeiros" do arquipélago.

Os enfermeiros cumprem hoje o último de cinco dias de greve nacional. Várias cirurgias programadas foram adiadas e muitas consultas canceladas na sequência desta paralisação.


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