Mais de um terço dos inquiridos em estudo da APAV conhece crianças vítimas de violência

Mais de um terço dos inquiridos em estudo da APAV conhece crianças vítimas de violência

 

Lusa/AO Online   Nacional   13 de Out de 2015, 08:12

Mais de um terço dos inquiridos num estudo da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) admite conhecer situações de crianças ou jovens vítimas de violência, mas destes menos de metade denunciou o caso.

Estas são algumas das conclusões do 6.º Barómetro APAV/Intercampus, sobre o tema da “Perceção da População Portuguesa sobre a Violência contra Crianças e Jovens”, que decorreu entre 15 de maio e 30 de junho e teve como base entrevistas a 807 pessoas com 18 ou mais anos.

O estudo hoje divulgado revela que 36% dos inquiridos (292) disseram ter conhecimento pessoal de situações em que crianças ou jovens foram vítimas de violência.

Entre estes casos destacam-se situações de ‘bullying’ e violência nas escolas (agressão entre alunos ou entre alunos e profissionais de educação).

Destas situações, os entrevistados declaram ter tido conhecimento que apenas 56% das vítimas terão recebido apoio, que foi dado principalmente nas escolas (42%) e na família (37%).

Houve ainda casos que receberam apoio das autoridades policiais (17%) e das comissões de proteção de crianças e jovens (16%).

Das 292 pessoas que declararam ter conhecimento pessoal de situações de violência contra crianças e jovens, apenas 38% (112) reportaram esta situação a uma estrutura de apoio (escola, polícia e/ou família).

Outra conclusão do barómetro aponta que mais de metade dos inquiridos têm a perceção de que as situações de violência contra menores aumentaram nos últimos anos, destacando-se também a violência nas escolas e o ‘bullying’, bem como a violência através da internet e das novas tecnologias.

Segundo o estudo, “a perceção da gravidade e do impacto na saúde física e mental das crianças ou jovens vítimas de violência é também bastante elevada”, tal como a importância atribuída à prevenção e ao combate destas situações.

A maioria (86%) dos inquiridos aponta a família como uma das estruturas mais importantes na prevenção e combate à violência contra crianças e jovens, seguindo-se a escola (67%), a polícia 36%, as comissões de proteção de menores (27%), a APAV (26%) e a Segurança Social (22%).

Para a técnica da APAV Maria Oliveira, estes resultados demonstram que há ainda um trabalho de prevenção e sensibilização a fazer para combater estas situações.

“Os números vêm confirmar aquilo que já suspeitávamos, que as crianças e jovens não sabem quais são os seus direitos, nem a que serviços devem recorrer”, disse à agência Lusa Maria Oliveira.

Apontam também que “existe ainda um longo trabalho a fazer, não só de alertar os profissionais”, mas também as crianças e jovens, de que “existem recursos de apoio para este público-alvo”, sublinhou.

Maria Oliveira destacou também o papel de “bastante relevo” que a família e a escola assumem junto dos inquiridos, relativamente “às suas responsabilidades na área da prevenção e combate à violência contra as crianças e jovens”, bem como na proteção dos menores e na educação para a não-violência.

“Estas opiniões reforçam a importância que a APAV tem feito ao longo de 25 anos de sensibilizar e capacitar as famílias e as escolas para o seu papel, não só na proteção das crianças e jovens perante as situações de violência e crime, mas também na sinalização e atuação” nestas situações.

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