Mais de metade das doentes reumáticas dizem ter a sua vida sexual limitada


 

Lusa/Ao online   Nacional   12 de Dez de 2007, 11:15

Mais de metade das mulheres com problemas reumáticos considera que a sua doença limita bastante a sua sexualidade, segundo dados preliminares de um estudo que vai ser apresentado quinta-feira em Lisboa.
A investigação começou em Setembro com 50 mulheres internadas no Instituto Português de Reumatologia, com uma idade média de 58,7 anos, e o objectivo é conseguir alcançar 300 doentes.

    De acordo com o reumatologista Luís Cunha Miranda, a sexualidade destes doentes tanto é afectada pelos problemas articulares e pela dor crónica, como pela ansiedade e depressão muitas vezes associada à doença.

    "A dor e a incapacidade inviabilizam muito os afectos e a disponibilidade que existe para a vida sexual. A dor, que é muitas vezes uma componente crónica dos doentes reumatológicos, traz uma menor predisposição para a sexualidade", comentou à agência Lusa o director clínico adjunto do Instituto Português de Reumatologia.

    Mas o estudo verificou também uma relação significativa entre os níveis de ansiedade e depressão e os níveis de satisfação sexual: quanto mais alto é o nível de satisfação sexual, mais baixos são os níveis de depressão e ansiedade.

    Assim, Luís Cunha Miranda diz não ser possível perceber qual a causa principal para as restrições da actividade sexual destas doentes, sendo que tanto as dificuldades articulares como os problemas de ansiedade parecem estar presentes de igual forma.

    O especialista sublinha que este estudo foi realizado em doentes que estão a ser "correctamente tratados e acompanhados", estimando por isso que a vivência sexual seja muito mais deficitária em pessoas com doenças reumatológicas que não são seguidas por especialistas.

    O estudo permitiu ainda perceber que as mulheres casadas são menos activas sexualmente do que as outras: "se por um lado o cônjuge apoiar, por outro pode também exigir mais por não compreender totalmente o impacto que a doença tem, originado maior ansiedade".

    Aliás, os níveis de ansiedade revelaram-se consideravelmente superiores nas pessoas casadas.

    Nesta análise ainda não foi possível perceber quais são as doenças reumáticas que mais influência têm na vida sexual das pessoas, um dado que os investigadores pretendem obter quando o estudo for alargado a mais mulheres.

    O tema da sexualidade, depressão e ansiedade nos doentes reumáticos vai ser debatido por mais de 1.500 especialistas durante as XV Jornadas do Instituto Português de Reumatologia, que decorre quinta-feira e sexta-feira em Lisboa.

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