Mais de 5700 vítimas de crimes sexuais pediram ajuda à APAV em 13 anos


 

Lusa/AO online   Nacional   29 de Dez de 2014, 15:19

Mais de 5.700 vítimas de crimes sexuais, a maioria mulheres, recorrerem aos serviços da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) entre 2000 e 2012, segundo dados divulgados pela associação.

 

As “Estatísticas APAV Crimes sexuais 2000-2012” referem que, neste período, foram totalizados 5.710 casos, tendo o maior número de crimes ocorrido em contexto de “violência doméstica – violação e abuso sexual de crianças”, com 3.473 casos (53,7%).

Analisando a evolução deste crime ao longo dos 13 anos, a associação afirma que “foi pautada por algumas oscilações, e de forma irregular”.

“Houve um aumento significativo de 2000 para 2003, seguida de sucessivas baixas até 2010, tendo havido depois uma significativa subida até 2012”, adianta.

O maior número de vítimas verificou-se em 2003, com 627 casos (11%), e o menor número em 2010 (327 casos).

As mulheres são as principais vítimas, atingindo o valor máximo em 2003, com 548 vítimas. Em 17% dos casos, a vítima tinha entre os 26 e 35 anos, e em 14,7% das situações, entre 18 e 25 anos.

O tipo de família das vítimas mais representativo foi a nuclear, em 22,2% dos casos (de 2000 a 2004), e a família nuclear com filhos em 22,3% das situações (a partir 2005).

Relativamente ao nível de ensino das vítimas, a APAV adianta que se distribui “de forma equitativa entre o 1.º ciclo e o ensino secundário”.

No entanto, o ensino secundário apresenta valores um pouco acima dos restantes, com 9,1% do total de casos registados.

Analisando as relações entre o autor do crime e a vítima, a associação verificou que, geralmente, são familiares.

A relação entre cônjuge e companheiro foi registada em 23,6% dos casos, seguindo-se a relação pai/mãe, em 10% dos casos, sendo a residência comum o local do crime mais assinalado (39,5%).

A APAV realça que “a vitimação continuada impôs-se em 63,4% dos casos, sendo as situações pontuais bastante mais baixas (21,7%)”.

Os homens são os principais agressores, tendo atingido em 2003 o valor máximo, com 582 autores do crime, (93%).

Em 2012, o registo de autores de crime é superior ao de vítimas, uma vez que, a partir deste ano, já era possível apurar vários autores de crime por vítima, explica a APAV.

Em 15,2% dos casos, o autor deste crime tinha entre 36 e 45 anos.

Os crimes patrimoniais também foram analisados pela associação, que registou um total de 4.570 casos neste período.

Segundo a associação, o maior número de vítimas verificou-se em 2001, com 434 casos (9,5%), e o menor em 2005 (198).

Os crimes patrimoniais são praticados em 35,7% dos casos na residência da vítima (1.630 situações).

O crime de dano é o que regista o maior número de vítimas (1.331), representando 26,8% do total de crimes, seguindo-se o furto, com 1.034 ocorrências (20,8%).

As mulheres são as maiores vítimas, tendo atingido o valor máximo em 2002, com 334 vítimas. Em 16,5% dos casos, as vítimas tinha mais de 65 anos e em 13,9% dos casos, entre 36 e 45 anos.

Os homens são os principais agressores, e em 22,5% dos casos tinham entre 26 e 45 anos.



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