Mais de 4% da população dos Açores afirma sofrer de depressão

Mais de 4% da população dos Açores afirma sofrer de depressão

 

LUSA/AO online   Regional   10 de Out de 2017, 14:20

Mais de 4% da população dos Açores entre os 20 e os 74 anos afirma sofrer de depressão, enquanto mais de 5% declara sentir ansiedade, mas não existem na região estudos concretos que definam quantas pessoas sofrem daquelas patologias

Os números foram avançados hoje pela diretora regional da Saúde, Tânia Cortez, no âmbito do seminário “Saúde Mental no Local do Trabalho”, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, para assinalar o Dia Mundial de Saúde Mental, numa organização do Centro Paroquial de Bem Estar Social São José, em parceria com a Associação para a Promoção da Saúde Mental (ANCORAR) e o Hospital do Divino Espirito Santo.

A governante, em declarações aos jornalistas, referiu que “4,4% da população açoriana entre os 20 e 74 anos afirma sofrer de depressão e 5,4% de ansiedade, segundo um inquérito de 2015”, acrescentando que "um terço da população açoriana, entre os 20 e 74 anos, afirmou sentir-se com alterações psicológicas, de acordo com os dados do inquérito regional de saúde em 2014".

Tânia Cortez disse que não existem na região "estudos propriamente concretos que definam quantas pessoas sofrem de depressão, ou quantas têm ansiedade ou esquizofrenia".

"Não existe ainda este estudo totalmente definido por patologia, existem inquéritos nacionais que depois abordam a região num modo generalista", sustentou, frisando que "é preciso combater o estigma da doença mental", através de uma intervenção desde "a infância até à idade adulta".

Tânia Cortez adiantou ainda que já foi nomeado o responsável pela Rede de Cuidados Continuados ao nível mental.

"Temos que incluir a comunidade no tratamento destes doentes, mas temos que perceber que existem instituições que devem ser usadas quando é necessário, porque nem todos os doentes precisam de institucionalização", referiu.

Um estudo, cujos dados preliminares foram divulgados no seminário, sobre fatores de risco psicossociais no local de trabalho, permitiu inquirir 577 dos 1600 trabalhadores do Hospital de Ponta Delgada, sendo que cerca de 30% dos inquiridos estão expostos a um risco relacionado com síndrome de 'burnout' que é caracterizado por exaustão ou por falta de motivação em relação ao trabalho devido a exigências emocionais ou cognitivas.

Joana Moreira, enfermeira do Serviço de Psiquiatria do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, que realizou o estudo, ao longo deste ano, no âmbito da tese de mestrado em psicologia, explicou que foram inquiridos colaboradores entre os 18 e 60 anos, mas "na generalidade os mais velhos não estão tão expostos ao risco de desenvolver 'burnout' e sintomas depressivos", acrescentando que quanto à questão do bem estar no trabalho "os resultados são bastantes positivos".

O presidente da direção do Centro Paroquial de Bem Estar Social de São José, Duarte Melo, defendeu a necessidade de um trabalho em rede com várias instituições e parceiros públicos e privados, frisando que "nos Açores consomem-se imensos depressivos, indicadores que nos devem por em alerta para uma ação concertada".



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