Mais de 300 locais percorridos "à lupa" no Atlas do Priolo

Mais de 300 locais percorridos "à lupa" no Atlas do Priolo

 

AO/Lusa   Regional   25 de Jun de 2016, 12:22

Mais de 300 locais vão ser percorridos por 55 voluntários na iniciativa Atlas do Priolo para tirar uma "fotografia da população mundial" daquela ave endémica açoriana em perigo, que apenas existe na zona nordeste de São Miguel, Açores.

 

“Numa única manhã, estes 307 pontos são percorridos e tiramos quase praticamente como uma fotografia a toda a população, o que nos permite ter resultados mais rigorosos”, disse à Lusa Ruben Coelho, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), entidade que organiza entre segunda-feira e 02 de julho o III Atlas do Priolo.

A iniciativa é promovida desde 2008, de quatro em quatro anos, em colaboração com a Secretaria Regional da Agricultura e Ambiente e com o apoio da Escola Básica e Secundária do Nordeste.

“Este é um projeto pioneiro importante para acompanhar a evolução da população de priolos e para a planificação das medidas necessárias para a sua conservação”, salientou Ruben Coelho, indicando que a iniciativa já permitiu “obter estimativas populacionais mais rigorosas”.

De acordo com dados que divulgou, a população de priolos está estimada em 1.300 indivíduos e os avanços conseguidos nos últimos anos permitiram “um pequeno aumento” da população.

“Felizmente está a ser notório um pequeno aumento que é resultado dos dois projetos LIFE + Terras do Priolo que já se realizaram, estando a decorrer o terceiro”, sublinhou.

O projeto LIFE + resulta de uma parceria entre a SPEA e a secretaria regional, visando contribuir para a gestão da Zona de Proteção Especial do Pico da Vara/Ribeira do Guilherme (da Rede Natura 2000), o único local do mundo onde vive esta pequena ave em risco de extinção.

Ruben Coelho explicou que têm sido implementadas medidas de gestão e restauração da floresta laurissilva, habitat do priolo.

Quanto à área de distribuição, o responsável adiantou que "existem algumas zonas, localizadas, onde têm aparecido mais priolos do que antes", embora a ave se "concentre basicamente numa zona de proteção especial definida há alguns anos" - no Pico da Vara e Ribeira do Guilherme.

"Seria impossível para um técnico apenas percorrer aqueles pontos todos. Por isso é que foi criado em 2008 o Atlas e este censo serve também para redefinir a monitorização anual que se faz", referiu.

O Atlas do Priolo vai envolver 55 voluntários, oriundos de São Miguel, do continente português, mas também do Canadá e da República Checa, que se deslocam propositadamente à ilha para participarem na iniciativa.

A contagem decorrerá na manhã de quinta-feira, nos concelhos de Nordeste e Povoação, na Zona de Proteção Especial Pico da Vara/Ribeira do Guilherme.

"Quem participa neste Atlas está também a contribuir para a conservação da natureza e de uma espécie tão importante e emblemática nos Açores", sublinhou Ruben Coelho.

A realização do Atlas inclui formação teórica e prática sobre o priolo e avifauna da região, flora e habitats, além de metodologias do censo, entre segunda e quarta-feira.

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