Mais de 30 por cento da população portuguesa sofre de dor crónica

Mais de 30 por cento da população portuguesa sofre de dor crónica

 

Lusa/AO Online   Nacional   13 de Out de 2010, 08:20

Mais de 30 por cento da população portuguesa sofre de dor crónica, um problema de saúde pública com impactos nos cuidados de saúde e na economia, segundo a Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED).

O presidente da APED, José Romão, antecipou à agência Lusa algumas das principais conclusões de um estudo nacional sobre o impacto da dor crónica na sociedade portuguesa, realizado pela Faculdade de Medicina do Porto e que será apresentado na sexta feira no congresso da APED.

O estudo epidemiológico, que envolveu mais de cinco mil entrevistas, concluiu que 31 por cento dos portugueses sofrem de dor crónica, atingindo 14 por cento da população nos casos de dor de intensidade moderada ou forte.

“Representa um enorme número de pessoas com um enorme impacto em termos de saúde pública”, referiu o presidente da APED, dando também conta dos impactos ao nível da economia devido à taxa de absentismo laboral elevada e cuidados de saúde que exige.

O estudo indica também que mais de 25 por cento dos doentes que estão a ser tratados para a dor não se encontram satisfeitos com a terapêutica, justificando com a ineficácia da medicação prescrita e falta de atenção que o médico dedicou à dor.

Uma percentagem significativa dos inquiridos foi reformada precocemente devido à dor e uma boa parte desses doentes teve uma baixa prolongada, adianta o inquérito.

José Romão, também coordenador da unidade de dor crónica do Hospital de Santo António, no Porto, explicou que a dor crónica é um estado de dor persistente, sendo as causas mais frequentes a osteoartrose, lombalgia crónica e artrite reumatóide.

Se a dor não for adequadamente tratada, a qualidade de vida da pessoa poderá ser gravemente afetada, podendo até levar à incapacidade para trabalhar, disse, acrescentando que tem impactos importantes a nível individual, familiar e social.

A dor crónica afeta todos os estratos etários, sendo comum em idades mais avançadas, e atinge sobretudo as mulheres.

José Romão sublinhou também que a “realidade de quem sofre de dor crónica em Portugal tem sido muitas vezes negligenciada e os efeitos na economia e na sociedade são ignorados desde sempre.”

O especialista considerou que é negligenciada ao nível dos profissionais da saúde, existindo uma cultura instalada de desvalorização da dor entre médicos e enfermeiros, que começa logo na fase de formação.

Nesse sentido, a APED aconselha que a população deve exigir junto dos médicos “um tratamento mais eficaz e atempado”.

Na Semana Europeia de Luta Contra a Dor, a APED quer chamar a atenção para este problema “grave” e apelar para um “melhor e mais" precoce tratamento.


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