Mais de 16 mil militares angolanos passaram desde 1996 pela cooperação técnico-militar portuguesa

Mais de 16 mil militares angolanos passaram desde 1996 pela cooperação técnico-militar portuguesa

 

Lusa / AO online   Nacional   2 de Dez de 2012, 11:32

Mais de 16 mil militares angolanos passaram pelos programas-quadro de Cooperação Técnico-Militar com Portugal, estabelecidos formalmente desde 1996, em projetos que vão desde a formação até à assessoria aos órgãos superiores de decisão das Forças Armadas Angolanas (FAA).

 

A tradicional avaliação do programa-quadro em curso, válido para o quadriénio 2011/2014, vai ser feita segunda e terça-feira em Luanda, numa reunião técnica em que Portugal estará representado pelo diretor geral da Política de Defesa Nacional, Nuno Pinheiro Torres.

Em cima da mesa vão estar os 10 projetos de cooperação inscritos no atual programa-quadro de Cooperação Técnico-Militar (CTM) luso-angolana.

Em declarações à agência Lusa, o adido de Defesa na Embaixada de Portugal em Luanda, coronel Fernando Albuquerque, destacou a "eficácia" como marca no desenvolvimento da cooperação luso-angolana no setor da Defesa.

"Resulta também desta cooperação um conjunto de relações entre a parte angolana e portuguesa que são relações excelentes. Nalgumas áreas até poderei dizer sem exagero, de alguma cumplicidade", acrescentou.

Além da cooperação com Portugal, Angola mantém acordos no setor da Defesa com a Rússia, Cuba, Brasil, França e Israel, entre outros.

"O objetivo de Portugal essencialmente é ir de encontro ao anseio do que são as necessidades angolanas e com o nosso 'know-how', nas nossas vertentes dar resposta e ajudar a todo este processo novo que está a decorrer nas FAA desde 2006, denominada reedificação das forças armadas", salientou.

Trata-se de um "desafio grande", tanto para Angola como para Portugal, que passa, segundo o programa-quadro em vigor pelo apoio e assessoria aos órgãos superiores de decisão das FAA e do Ministério de Defesa Nacional angolano.

Na componente formativa, a assistência de Portugal faz-se sentir na Escola Superior de Guerra, em Luanda, onde são formados militares angolanos e de outros países, como a África do Sul, República Democrática do Congo e Zimbabué, e também de estados de língua portuguesa, como Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau, e onde são ministrados cursos de passagem a oficial superior e de promoção a oficial-general.

A assessoria e formação de tropas especiais, de militares para integrarem missões internacionais de operações de paz e em cada um dos três ramos das FAA completam o leque de 10 projetos do programa-quadro.

No caso das operações de paz, Portugal tem vindo a apoiar Angola na criação de unidades e de quadros para as organizações sub-regionais, no âmbito da criação da chamada "African Stand-By Force", conceito que a União Africana tem vindo a desenvolver de forma descentralizada nas principais organizações sub-regionais.

"Angola está de corpo e alma em duas: Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e Comunidade Económica de Estados da África Central (CEEAC). Nesta perspetiva de construção destas brigadas de alerta, tem também feito um esforço grande de preparação de unidades e quadros para integrarem estas brigadas no seio da União Africana", disse.

"Entre outros aspetos, (a cooperação técnico-militar portuguesa) acarreta a estruturação de muitas novas unidades angolanas, nomeadamente a edificação das academias, dos institutos superiores de ramos, na vertente da formação das elites angolanas. Temos já um histórico de permanência em Angola e também vemos com muito bons olhos e toda a disponibilidade em continuar a apoiar este esforço que Angola faz na formação dos seus quadros", concluiu o adido de Defesa.


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